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Álvaro Alberto: “Ninguém sabe o tamanho da crise"

12/10/2008 - Tribuna do Norte

A quantidade de informações e análises sobre a crise financeira internacional é diretamente proporcional à tensão que ela tem causado pelo mundo. Em tempos de incerteza e de globalização, ouvir a opinião de pessoas mais próximas – mesmo que geograficamente – torna-se importante para dirimir dúvidas que não nem sempre se consegue nos noticiários nacionais. Por isso, procuramos o empresário Álvaro Alberto para conversar sobre como esse mar de números, falências e previsões deve levantar as orelhas de empresários e consumidores potiguares. À frente da Companhia Hipotecária Brasileira (CHB), empresa potiguar pioneira em hipoteca – saudável, como garante ele – no país, Álvaro Alberto tem mais do que a experiência local para basear sua avaliação. Entre as participações em entidades, aos 67 anos ele já foi fundador e presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), diretor do Banco Interamericano de Poupança e Empréstimo (Biape) e presidente da Unión Interamericana para la Vivienda (Uniapravi).

Já se fala em muitos impactos dessa crise no Brasil especialmente na escassez do dinheiro, mas antes de ela estourar, o Banco Central já estava aplicando o aumento de juros para controlar a inflação. Para o senhor, nesse cenário que temos agora de aumento de taxas para financiamentos e restrição de crédito, o que já é fruto da crise e o que faz parte do ajuste do governo?

A inflação preocupava o governo brasileiro, com certa razão, tendo em vista o passado recente de superinflação. Mas é algo diferente da crise. A inflação que o governo estava tentando combater antes que ela aparecesse estava acontecendo porque o Brasil estava crescendo em níveis muito maiores do que cresceu nos 30 últimos anos. Quando uma nação cresce, evidentemente circula mais riqueza, que chega a um número cada vez maior de pessoas. Isso faz com que o número de consumidores aumente. Então pode até faltar determinados produtos e serviços, o que faz os preços subirem. Isso é uma forma de gerar inflação. Então o medo que as autoridades monetárias do Brasil estavam tendo é que o aumento do consumo decorrente do aumento do PIB fizesse com que esse consumo fosse crescente e gerasse inflação. Aí existem os remédios naturais em todo país: quando você aumenta os juros, o crédito fica mais caro e há uma retração, tanto no consumo quanto na produção.

Então esses juros que estamos vendo mais altos nos financiamentos ainda é reflexo dos ajustes do governo?

Os juros estavam crescendo para combater um consumo maior que geraria uma inflação. Mas porque os juros estão crescendo agora? Porque a tendência é que falte dinheiro no mercado financeiro. É outra razão. Se antes o aumento dos juros era um remédio para febre, agora é para outro mal, mas continua sendo um remédio. Até agora, você passa nas ruas e tem pessoas oferecendo dinheiro para empréstimo. Antigamente, se marcava audiência e se vestia a melhor roupa para encontrar com o gerente do banco para pedir um empréstimo. Hoje tem empréstimo em banca de jornal. Mas isso porque estava tendo uma superoferta de dinheiro no mundo e, além disso, o mundo se globalizou, o dinheiro que circula em qualquer economia do mundo é da economia global. Hoje, o dinheiro que você pega emprestado pode estar vindo de um fundo de investidores chineses. Mas a preocupação do governo agora não é mais a inflação, é a recessão. O movimento mudou. O que está existindo no mundo agora é uma ausência total de dinheiro. Então, resumindo, eram dois movimentos diferentes. Até o início da crise era um aumento de juros para conter o aumento do consumo e o conseqüente aumento da inflação. E agora o aumento dos juros é devido à escassez de dinheiro disponível, seguindo a lei de oferta e demanda. Você pode ver que em todos os jornais se fala em redução do crédito, porque o sistema em si está com medo de emprestar. E tem muito banco grande que parou de movimentar certas linhas.

O presidente Lula tem dito que temos uma ótima blindagem. Mas temos termômetros como a Bolsa que mostram que não é bem assim. Como o senhor acredita que essa crise afeta o país?

Devemos analisar a crise sob dois aspectos. Primeiro, a razão da crise. Existiu uma degeneração do mercado financeiro nos dez últimos anos. Os riscos do mercado financeiro passaram a ser muito grandes para o próprio mercado em si. Outra razão é que, o mercado financeiro, em decorrência da crise, pegou fogo. E os governos neste momento querem debelar o incêndio, querem parar a corrida, parar o efeito manada. É um processo de desconfiança, as pessoas têm medo de perder o dinheiro que está guardado no banco. Esse é primeiro grande problema para se debelar. Então precisamos apagar esse incêndio nos grandes centros. Esse fogo que tem nos EUA e na Europa não existe no nosso mercado local, ninguém está indo resgatar depósitos e aplicações. O nosso sistema financeiro é muito mais fiscalizado e controlado do que os sistemas financeiros de outros países. A única coisa que está tendo no Brasil é porque a Bolsa, assim como no resto do mundo, recebeu aplicações de investidores do mundo todo. Então, tem uma hora que, quando eles perdem em uma cidade, resgatam o que está nas outras bolsas para cobrir. O mercado brasileiro está tranqüilo. Ou seja, fora a crise essas quedas e subidas da Bolsa aqui são fruto do movimento normal de compra e venda: quando cai e fica barata, o investidor compra porque está baixa, e quando ele procura para comprar, aí sobe.

Então não estamos com o problema inicial de apagar fogo e cessar a corrida a resgastes nos bancos.

É, não temos nem esse problema nem o problema de origem, porque nosso sistema vem sendo saneado pelos problemas que temos tido nas últimas queda, como queda de bancos e fusões, etc. O sistema é forte e extremamente regulado. Outra diferença de origem é que o que pipocou no mundo foram as hipotecas. O caso das hipotecas no Brasil é novo e só existe a hipoteca de primeiro grau: no mercado financeiro do Brasil não existe uma coisa chamada derivativos (grosso modo, venda de operações de empréstimos que incluindo os juros que ainda não foram recebidos), e aqui os papéis gerados com hipotecas um percentual sempre abaixo do valor do imóvel usado como garantia, diferente dos derivativos e do subprime, no qual se emprestava acima da garantia.

Então considerando tudo isso que o senhor me disse agora, os brasileiros podem ficar tranqüilos?

Não. Porque na hora em que o mundo entrar em recessão, evidentemente o Brasil vai vender menos. Se vai vender menos, evidentemente vai crescer menos. Se crescer menos, pode ficar até sem inflação, mas pode gerar desemprego. Na hora em que você não vender automóveis, as fábricas vão diminuir a produção e vão demitir. O Brasil faz parte dessa conjuntura do mundo, mas isso não blinda. Porque inclusive a blindagem que se diz que o país tem é mínima em relação ao tamanho do problema do mundo, que é tão grande que a gente ainda não sabe dimensionar. O Brasil fez o dever de casa, está na crise porque faz parte do mundo. Mas acho que o país aproveitou mal a época de bonança, quando poderia ter investido mais em infra-estrutura e em ajustes da máquina do governo.

Mas tem a questão das commodities e as grandes empresas da Bolsa no Brasil trabalham com commodities.

Isso também afeta muito. Com o mundo consumindo menos, cai a venda de commodities, que são o forte das exportações do Brasil. E isso diminui a rentabilidade dessas empresas. Acho que o maior exemplo disso é o barril de petróleo, que estava em quase US$ 140 e desceu para US$ 90. Isso acontece porque na hora que você chega e diz que o mundo vai parar, então evidentemente vai ter menos consumo de gasolina e venda de petróleo.

Então o modo como essa crise afeta a Bolsa brasileira atinge grandes empresas como Vale e Petrobras. Como isso impacta o país?

O que poderá afetar são os planos de expansão, como o pré-sal, que é um petróleo caro. Então, se o barril de petróleo está a US$ 140 é muito mais fácil do que se está a US$ 90 podendo cair pra US$ 60. Tem outro aspecto. Para fazer um programa de pré-sal, a primeira estimativa da Petrobras foi de R$ 700 bilhões, quase aquele presente que o governo americano deu para os bancos – para você ver a diferença da dimensão das economias. Então, é um dinheiro que nós não temos. Falaram de usar o Fundo de Garantia (por Tempo de Serviço, FGTS). Mas o Fundo de Garantia não tem nem R$ 100 bilhões. Se o mundo estivesse com esse dinheiro era muito fácil a Petrobras ir atrás dele em Wall Street, em Londres, na Ásia. Quando falta dinheiro, é mais difícil, principalmente porque o investidor vê que a cotação do barril está caindo.

Muita gente diz que o pior da crise não chegou. O senhor concorda?

Tudo isso é uma questão de sentimento pessoal de cada um, porque, na realidade, ninguém conhece, no mundo, o tamanho desses derivativos espalhados pelo planeta. A última informação que eu tive foi de que esses derivativos, esse processo de geração de papéis acima do que realmente existe, está em torno de US$ 65 trilhões. Se o governo americano, com toda aquela barulhada, aprovou US$ 850 bilhões, foi menos de 1,5% do tamanho do buraco. Mesmo se juntasse com o dinheiro de outros países, não daria 5%. Se você raciocinar por isso, é muito grande. Mas esse valor de US$ 65 trilhões não está levantado, é um dado que se fala. É muito relativo, pode ser que haja derivativos que a pessoa esteja pagando. Então a gente não sabe, e, como não se sabe, se diz que o pior dela ainda pode acontecer. A única coisa que tenho certeza é que é uma crise que, mesmo que amanhã a bolsa volte, mesmo que em dois, três meses o dólar volte, essa crise financeira, que é realmente sistêmica, não vai passar em menos de 18 meses, um ano e meio. Vai levar disso a 24 meses. Eu sou um tanto otimista porque acredito e conheço a potência capitalista dos EUA.

O senhor acredita que vai durar de 18 a 24 meses. Mas e os efeitos dela? E quanto tempo vai demorar para o mundo se reacomodar e voltar a crescer?

Se você partir do princípio que dentro da crise mundial o Brasil vai sofrer, mas vai sofrer muito menos do que os outros países, os reflexos no Brasil serão menores e podem ter uma solução rápida. Em relação ao mundo, na primeira grande crise, em 1929, foram necessárias décadas e até uma guerra mundial. Mas hoje, se tudo correr com a modernidade do mundo, é possível que a recuperação já aconteça dentro desse prazo de 18 a 24 meses. E pode ser que daqui há cinco anos essa crise não tenha nenhuma cicatriz. Agora, isso é um pouco de futurologia. Pode ser que quando essa entrevista seja publicada a economia mundial esteja completamente quebrada.

Nesse tempo que ainda vai durar essa crise, como o senhor acha que as empresas devem se comportar?

Depende muito do segmento. De uma forma geral, toda e qualquer empresa, se investir em recursos humanos, no treinamento, no conhecimento, evidentemente o passo está certo. Agora, em determinados segmentos, como o imobiliário, certamente, haverá uma redução. Se o mundo entra em recessão, o investidor o comprador desses imóveis vai diminuir, com já vinha acontecendo. E os compradores nacionais, na hora de uma ausência de crédito de longo prazo, vão ver um aumento no custo, o que poderá gerar um problema nesse segmento. Já no turismo, poderá haver uma recuperação mais rápida, porque o dólar vai cair, embora não vão mais voltar para R$ 1,60. E o Brasil vai ter efeitos menores, o que poderá incentivar o turismo interno. Na exportação, como temos mais alimentos, não deve atingir muito, porque são produtos consumidos quase sempre como são exportados, sem necessidade de transformação. E o comércio local vai atravessar esse período bem melhor do que nos outros pontos do mundo. Enfim, previa-se que o Brasil ia crescer 4,5%, eu acredito que vá crescer a 3%. Vai cair mas vai crescer.

Emídia Felipe - Repórter
 
 
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