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Peeling químico superficial e médio: é tempo de renovar a pele

03/06/2008 - Renata Appel/Fotos: Régis Giacobbo

Saiba tudo sobre peeling químico superficial e médio com a médica dermatologista, sócia efetiva da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Martha de Souza Coutinho.

Quais os tipos de pele que têm indicação de peeling?

Segundo o médico americano Thomas Fitzpatrick, existem 6 tipos de pele: I – bem branquinha, sempre queima e nunca bronzeia; os tipos intermediários II, III, IV e V; até o tipo VI, oposto do tipo I: pele negra, não queima e bronzeia com facilidade. O peeling pode ser realizado em qualquer um dos tipos, porém, nos fototipos mais altos, os peelings devem ser superficiais, para evitar complicações. Podem ser feitos na face ou e resto do corpo, sendo que nesse último caso, deve necessariamente ser menos agressivo.

O que é o peeling químico? É necessário algum tipo de preparação antes do tratamento? Como ele é feito?

A pele é dividida da superfície para a profundidade em 3 partes: epiderme, derme e hipoderme (gordura). Na base da epiderme ocorre a renovação celular constante. Na derme estão os elementos de sustentação – fibras de colágeno e elastina. O peeling é uma forma acelerada de esfoliação induzida pelo uso de um coagulante químico ou agente escarificador. Há um estímulo para o crescimento epidérmico, com aumento da espessura, destruição de camadas especificas com posterior reparação. Ocorre também uma reação inflamatória na derme com remodelação e formação de colágeno novo. A preparação da pele está na dependência de suas condições e tipo. Se a indicação é acne, por exemplo, inicia-se o tratamento adequado para a patologia e o peeling é feito como adjuvante. Os peelings superficiais e médios são indicados para rejuvenescimento (brilho, suavidade, firmeza, melhora de rugas finas); para manchas, homogeneizando a cor da pele, deixando-a mais uniforme; para acne e ceratoses actinicas; e como adjuvante em verrugas planas, entre outros. Cada tipo de agente – AHA,BHA,TCA – com variações e associações, tem técnicas especificas de aplicação, e cada especialista os maneja conforme literatura científica especifica e experiência acumulada. Todos os ativos são aplicados na superfície da pele (face ou corpo) com prévia limpeza e desengorduramento da mesma. Após, seguem-se protocolos distintos.

Existem restrições para esse tratamento?

Não deve haver infecção na superfície da pele. Para os peelings médios, a pele não deve estar bronzeada. Se houver história de herpes simples é importante medicação específica profilática. Também para os médios se fazem necessários exames de sangue. Para manchas, os peelings devem ser mais delicados, pois é uma pele muito reativa e há risco de manchar ainda mais com o procedimento. Em pacientes psiquiátricos e com alterações psicológicas, a avaliação pré procedimento deve ser ainda mais criteriosa; há restrição para aqueles com expectativa a cima do normal quanto aos resultados, pois a Medicina é contrato de meios, e não de resultados. Quando a pele já é muito adequada, também os peelings não poderão ajudar, a não ser como prevenção. Sempre devemos deixar bem claro os prós e contras de cada método ou químico para decidirmos em conjunto o melhor e mais adequado a cada caso, respeitando a vontade do paciente e a correta indicação.

Como é o processo de aplicações? Quantas sessões são necessárias? Quais cuidados o paciente deve tomar?

Para os superficiais, são necessárias várias sessões – 3, 6, 9, 12... a cada 15 ou 30 dias, dependendo do que vai ser tratado e do objetivo que pretendemos alcançar. Para os médios, um a cada ano ou mais espaçado ainda. Os cuidados são individualizados para cada agente aplicado. Orientações gerais para o pós peeling são: hidratação, proteção solar, evitar exposição solar intencional (exemplo: banho de sol) e não “ajudar” na descamação quando ela existir. Existem peelings que não descamam (com ácido glicólico). Deve-se evitar água muito quente e depilação por determinado período, limpar e secar a pele com delicadeza e evitar produtos agressivos com gel e álcool pelo tempo indicado.

Quais outros tipos de peeling existem além do químico superficial e médio?

Existem os profundos, conseguidos por mais camadas ou maior concentração, ou associando químicos usados nos superficiais e médios. Embora o protótipo do peeling profundo seja o de fenol, existem também os por agentes abrasivos (de cristal e lixamento) e outros por luz intensa pulsada (LIP) e laser.

E após o tratamento? Como é a manutenção/aprimoramento do resultado?

Com proteção solar. Demais itens devem ser individualizados. Ênfase em tensores, hidratantes, despigmentantes quando necessários, anti-oxidantes e formadores de colágeno. A cada momento estão lançando novos ativos no mercado. O uso de novidades então deve ser baseado em trabalhos científicos com comprovada eficácia.

O peeling pode ser associado a outras técnicas?

Pode e deve ser mais uma ferramenta a ser usada em prol da saúde como um todo e da auto-estima, hoje tão almejada. Técnicas como prescrição de cremes locais, preenchimento, toxina botulínica, lifting, nitrogênio líquido, eletrocoagulação, laser, luz intensa pulsada, acupuntura, drenagem linfática, entre outras, devem estar associadas.

É verdade que o peeling pode melhorar estrias?

Estrias são um problema freqüente, principalmente entre as mulheres, que precisa ainda de muita pesquisa para uma solução. Cremes, peeling de acido retinóico e abrasões seriadas podem ter alguma melhora em casos recentes.

Quais os possíveis riscos do peeling?

Os mais profundos envolvem maior risco, períodos mais prolongados de recuperação, afastamento de atividades (exercícios, trabalho, lazer, convívio). Esta é a idéia que apóia os peelings superficiais seriados, deixando os médios e profundos para casos selecionados. Objetivamente, alguns riscos: infecção; hiper ou hipocromia, isto é pigmentação para mais ou para menos; mília; vermelhidão temporária ou permanente; cicatrizes; quelóides; alergias (exemplo: com solução de jessener, tipo de peeling com 3 componentes); estar grávida contra-indica a maioria dos peelings; salicilismo causado pelo peeling de ácido salicílico quando usado em renais crônicos ou em grandes áreas corporais.

Revisão e edição: Renata Appel

 
 
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