Lojistas de Porto Alegre mantêm otimismo com cautela
15/10/2008 - Imprensa CDL/Poa
Cautela. Essa é a palavra de ordem para os empresários do comércio de Porto Alegre diante da turbulência no mercado mundial. A avaliação foi feita na 2ª feira (13/10), durante a reunião-almoço de Diretoria da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Porto Alegre, onde ficou evidenciado que os reflexos acontecerão na restrição ao crédito em curto e médio prazo, mas não na renda disponível e na empregabilidade. Conforme o Presidente da entidade, Vilson Noer (foto), a Capital receberá uma injeção de R$ 1,4 bilhão em 13º salário, o que significa um incremento de 2,7% em relação a 2007 e 30% do total pago no Rio Grande do Sul. "Diante deste cenário fica evidente que a perspectiva otimista para o final de ano não será alterada, mas ajustada. O aumento será entre 7% e 8%", estima o dirigente. As consultas ao banco de dados do SPC, por exemplo, permanecem aquecidas, com um aumento de 8,59%, em outubro.
Os números do departamento econômico da CDL/Poa indicam que a cidade tem prerrogativas que a beneficiam em relação a outras localidades. Uma delas é o percentual de funcionários públicos, que soma 71% do total, ou seja, 485 mil empregados, além de ter 85% de trabalhadores formais na população economicamente ativa. Para o dirigente, o momento é benéfico para os setores, com prazos mais curtos e tíquete médio mais baixo, ao contrário de importados e segmentos que se utilizam de prazos longos de crédito. "O período é oportuno para o varejo, principalmente para que as organizações revisem seus procedimentos e processos internos e despesas fixas e variáveis", diz.
A entidade traçou quatro cenários para o momento atual, desde o drástico até o mais otimista. A CDL entende que poderá ter restrições ao crédito, mas com confiança do consumidor e crescimento de renda. Para Noer, este parece ser o cenário mais provável, com as famílias consumindo e mantendo o seu endividamento de curto e médio prazo. Estas perspectivas, no entanto, não afetarão a empregabilidade temporária que, segundo o dirigente, terá um incremento entre 8% a 10%: "Os maiores prejuízos neste campo serão, certamente, pelas limitações impostas na nova lei dos estagiários".