Prevenir para não ter de remediar
|
Nossos governantes não conhecem o ditado popular "é melhor prevenir do que remediar". As medidas que chegam para a população são remediadoras, não combatem os erros pela raiz. Exemplos não faltam, mas podemos citar somente os mais "famosos" e polêmicos, como o sistema de cotas para negros nas universidades e o auxílio financeiro a famílias pobres. A população, de forma alguma, deve seguir esse mau exemplo! Para os erros que são cometidos hoje, como a inadimplência, não se repetirem no futuro, as crianças devem ser bem orientadas em relação à economia doméstica. Quanto mais cedo, melhor.
Certamente, um dos males do brasileiro, o consumismo desenfreado, vem da infância. Quando a criança só sabe falar "eu quero" e não aprende que o mais importante é o "eu preciso" pode se tornar um adulto consumista, daqueles que compram tudo o que acha bonitinho, não importando a utilidade da compra e sua necessidade. Essa educação deve ser feita da forma mais tranqüila possível, para que a criança consiga aprender a lidar com o dinheiro sem traumas.
Crianças a partir de 3 anos já podem ter um contato mais direto com o dinheiro. Com R$ 1, uma vez por semana (num dia previamente combinado e sem atrasos no "pagamento"), a criança já pode ir treinando o controle sobre seu rico dinheirinho. Um pouco mais tarde, após os 6 anos, já dá para ensinar a criança um pouco sobre o que é poupar. Caso a família tenha condições, já é possível aumentar o “pagamento” para cerca de R$ 6 semanais, sendo que metade desse valor deve ser destinado a uma poupança, deixando a criança acompanhar de perto essa economia. Ela ainda não entenderá muito bem o que é economizar em longo prazo, portanto, não adianta abrir uma poupança para garantir o carro que virá somente 10, 12 anos depois. A poupança poderá servir, em curto prazo, para comprar uma bicicleta, um videogame ou outro item que seja útil para a criança.
Com 11 anos de idade, já pré-adolescente, a criança é capaz de compreender o dinheiro, o seu valor e sua importância. É também a faixa etária que está na mira das campanhas publicitárias, portanto todo o cuidado é pouco. Nesse momento, o “pagamento” semanal pode se transformar numa mesada, com um valor que caiba sem apertos no orçamento familiar. Lembre-se que o dinheiro é da criança, e não seu. Tente só orientar os gastos, para que o dinheiro dure por todo o período da mesada e evite ao máximo dar aquele “vale” no final do mês (alguém aí se lembrou do cheque especial, do limite da conta corrente?).
O termo pode parecer um tanto quando estranho, mas esteja ciente que você não está “adestrando” o seu filho. Somente um animal em adestramento espera um “pagamento” pela ação realizada ou o não pagamento pela falha. O “pagamento” ou a mesada não deve ser interrompido por causa de alguma punição. A partir do momento que ele foi proposto, só pode ser interrompido por algum problema no orçamento familiar. E isso tem de ser explicado para a criança, numa conversa aberta e sincera.
Agindo dessa forma, você evita que sua família, nas próximas gerações, cometa os mesmo erros que a maioria da população brasileira comete hoje por faltar o interesse do Governo Federal de inserir nas escolas brasileiras a disciplina Educação Financeira. Já no nosso caso, o negócio é remediar mesmo e ir aos poucos vivendo e pagando o preço da humilhação para continuar aqui no Brasil sendo vítima do sistema capitalista selvagem que esta deteriorando a vida de milhões de brasileiros.
Revisão e edição: Renata Appel
Consultor Financeiro, Conferencista, Especialista em Economia Doméstica e Direitos do Consumidor. Autor do livro Paz, Saúde e Crédito – Editora Mundial e do Projeto para inclusão da disciplina "Educação Financeira nas Escolas".
e-mail do autor:
claudioboriola@boriola.com.br
|