Gravadoras, deixem os programas de compartilhamento de arquivos em paz
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Notícias alardeando processos milionários na Justiça contra programas de compartilhamento de arquivos, movidos por representantes da indústria fonográfica, me deixam triste. Essas gravadoras são o típico caso de aproveitadores que usam o judiciário para tentar ganhar “boladas” em cima dos outros, da maneira mais torpe possível. Em uma clara manifestação coletiva de atitudes retrógradas e repressoras, tais empresas lutam com unhas e dentes contra o avanço da tecnologia musical e as tendências deste novo milênio. Elas querem invadir a liberdade dos internautas e tolher uma das tantas maravilhas que a rede oferece: música.
Quem tem vinte e poucos anos sabe que um dos hábitos que tínhamos na nossa infância era o escambo – meninas trocavam papel de carta; meninos trocavam figurinhas. No ano 2000, nós trocamos arquivos – documentos, imagens, aplicativos, softwares, mp3, vídeos, etc. Na rede, programas como Limewire, Kazaa, Soul Seek, Emule, entre outros, estabelecem canais que permitem aos internautas, no mundo inteiro, a disponibilização de seus arquivos, gerando este relacionamento e intercâmbio de conteúdos e culturas – livre e fascinante.
E é desta facilidade que as gravadoras querem nos privar. Nós, consumidores, que pagamos por uma máquina completa, que compramos um bom processador, que compramos uma placa de memória de qualidade, que pagamos todos os meses pelo provedor que utilizamos, que pagamos todos os meses pelo serviços de acesso à internet que contratamos, que gastamos com assistência técnica. Esses grandes empresários, que vendem CDs e DVDs a preços inaceitáveis, querem dizimar programas de compartilhamento de arquivos e se locupletar em cima dos gênios que os inventaram, exigindo milhões de dólares em indenizações.
A contravenção existe, sim, a partir do momento em que o usuário se utiliza desses serviços para lucrar, copiando as faixas em CDRs e DVDRs e comercializando esses discos. E a internet é mesmo tão “completinha” que o sujeito tem à sua disposição um sem número de sites que oferecem capas perfeitas de álbuns famosos e diversos filmes, como o Caratuleo e o Coveralia – basta imprimir e está pronto o produto pirata. Isso sim é sacanagem, uma verdadeira falta de respeito com os músicos e produtores: ganhar dinheiro em cima de seu trabalho, vendendo reproduções toscas (e muito mal-feitas, diga-se de passagem) nas ruas dos centros do País, como milhões de brasileiros desempregados e sem perspectiva de sustento fazem, por todo esse Brasil.
Nós, simples usuários, que não visamos lucros, nem ações de pirataria em cima destas maravilhas da internet, mas tão somente o lazer proporcionado por nossas jukeboxes e pelas milhões de incríveis rádios online, de todos os países deste vasto planeta, espalhadas pelas rede (que veiculam mp3), temos diversos questionamentos a esses cruéis algozes que insistem em colocar honrados desenvolvedores nos bancos dos réus.
O CD é meu, eu comprei com meu dinheiro – se vou converter de CDA para mp3 e largar na rede, O PROBLEMA É MEU.
Aonde vou encontrar um CD com raridades como Judy Garland cantando Get Happy ou Marilyn Monroe cantando River of No Return? Vou mais longe: MARILYN CANTANDO HAPPY BIRTHDAY PARA O PRESIDENTE KENNEDY E O ÁUDIO COM AGRADECIMENTO DO MESMO? Não responda – a resposta é óbvia: somente em programas peer-to-peer. Nesses mesmos programas, tão puramente civilizados, é possível conversar com gente de todas as partes do globo, via chat – eu posso solicitar a uma internauta libanesa os últimos hits do Beirute. Um CD com este tipo de música por aqui??? De novo: não responda – SIMPLESMENTE, NÃO HÁ.
Quantos músicos e bandas independentes querem ter seu trabalho reconhecido... INÚMEROS! Essas ferramentas são uma benção para estes profissionais, que não contam com o apoio dessas mesmas gravadoras tiranas, e podem dar um belo spread no que têm a mostrar, espalhando seu som pela rede.
E os CDRs e DVDRs? Todo mundo sabe que eles têm capacidade de gravar faixas de forma convencional ou no modo mp3. E quanto aos tocadores de mp3, aparelhos fabricados pelas empresas de eletroeletrônicos? Existem CDs de mp3 no mercado? Não. Mas no mercado negro sim – e esta é uma das mais novas modalidades de venda dos ambulantes de discos piratas: o CD de mp3. Quem não tem drive e software de gravação, compra com os pirateadores mesmo – eles oferecem algo que o comércio regular não possui, mas este mesmo comércio vende aparelhos que tocam mp3 – coisa de maluco, não é mesmo?
E então, “poderosas gravadoras”? Tem gente à beça pra vocês processarem, hein? Processem fabricantes de CDRs e DVDRs. Processem as gigantes indústrias de eletroeletrônicos, responsáveis pela criação de drives de gravação de discos, aparelhos que tocam mp3 e ipods – o walk-man dos dias de hoje. Processem desenvolvedores de softwares de gravação, como Nero e Winamp. Processem criadores de aplicativos conversores de CDA para mp3 e, até mesmo, que rompem o lacre da censura em CDs e DVDs, como o DVD Decrypter e o dBPowerAMP. Processem os milhões de usuários de P2P espalhados pelo mundo. Metam um belo processo na modernidade – peçam ajuda à Justiça e lutem contra a evolução do futuro. Boa sorte!
Revisão e edição: Renata Appel
Jornalista, Produtora, Editora, Repórter, Apresentadora, Webwriter e Tradutora.
e-mail do autor:
re.appel@terra.com.br
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