Filhos – até quando?
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A mulher mudou. Evidentemente, falamos das gerações nas quais estamos envolvidos; falamos de um passado ainda recente, e presente na memória da maioria. Todos os médicos, formados há pelo menos 10 anos, podem constatar a mudança no perfil das pacientes. Elas questionam, discutem, buscam informações sobre sexo e anticoncepção, sejam casadas ou solteiras, de modo mais aberto e liberal do que antes. Mães trazem suas filhas para receber a mesma orientação que elas talvez não tenham tido, quando precisaram. Além destes fatores, provavelmente o casamento mais tardio e a união de parceiros separados de casamentos anteriores também contribuem para a busca de gestação, em torno da época da menopausa.
Diante deste novo enfoque, sem dúvida, o médico deve reavaliar sua posição diante da mulher que deseja gestação na menopausa, pois a ovo-doação é uma realidade inconteste. Entendo que o princípio básico deste novo relacionamento médico-paciente deve, mais do que nunca, ser de aconselhamento, sem colocar seus próprios valores em jogo, pois a decisão deve pertencer ao casal. A orientação deve ser a mesma dada para as mulheres mais jovens, ou seja, os exames clínico e ginecológico devem indicar ou contra-indicar, de maneira relativa ou absoluta, a gestação. Doenças como diabetes, hipertensão e cardiopatias devem ser observadas com rigor. Homens com idade avançada têm seus filhos, sem serem questionados. Não devemos tratar este fato como regra, pois na realidade não o é. A questão é que a paternidade e a maternidade transcendem o parto, e indivíduos maduros, mas saudáveis física e mentalmente (aqui, sim, cumprimos nosso papel como médicos) devem ter consciência da responsabilidade que decorre deste ato, não só para com o filho, mas também para a sociedade.
Revisão e edição: Renata Appel
Ginecologista e obstetra, especialista em reprodução humana, um dos diretores do Projeto Beta - Medicina Reprodutiva com Responsabilidade Social, mestre e doutor em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e Presidente da Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva.
e-mail do autor:
tdpo@tdpo.com.br
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