Esquerda
O que é ser de esquerda hoje em dia? Grandes políticos já foram perseguidos por serem de esquerda. Entre eles, o Presidente Eleito Lula, mas também o ainda Presidente Fernando Henrique e até José Serra. Os grupos clandestinos da década de 70 são muito diferentes dos de hoje.
Naquela época, a ditadura oprimia grande parte da América Latina. E esses grupos ganharam uma imagem romântica. Mas não existe nada de romântico em grupos que, hoje, se ligam a criminosos e traficantes. Um exemplo forte são as Farc, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que já abrigaram até Fernandinho Beira Mar.
O termo “esquerda” já não cabe mais para os grupos revolucionários. Existe uma grande diferença. Uma coisa é o grupo se transformar em um partido que respeita a ordem democrática. Outra é considerar a democracia um embargo aos seus objetivos.
O futuro vice-presidente, José Alencar, é um grande empresário, mas alega ser de esquerda. A contradição mostra que o conceito de esquerda está defasado. O PT se opôs à redução das desigualdades no sistema de previdência. Um aposentado do setor público recebe dez vezes mais do que um aposentado do setor privado. Nesse caso, o PT não estava sendo de esquerda.
Quando o governador Olívio Dutra impediu a instalação da Ford no Rio Grande do Sul, esta atitude foi de esquerda ou de direita? O governo Fernando Henrique fez a maior distribuição de terras no País: esquerda ou direita?
É preciso rever velhos conceitos. Fazer uma escolha verdadeiramente de esquerda é bem diferente hoje. O mesmo acontece com a implantação de políticas de esquerda. A esquerda, em teoria, luta pela redução das desigualdades. Não importa a denominação, de direita ou de esquerda, o que deve prevalecer é o bem comum.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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