Uma seleção estrangeira
Apesar de ser um especialista em assuntos econômicos, reservo-me o direito, como qualquer outro brasileiro apaixonado, de comentar o vexame verde-amarelo na Copa do Mundo da Alemanha. Sei que somos mais de 180 milhões de técnicos e que cada um teria uma seleção para escalar na ponta da língua. Então, não quero me ater ao fato de esse ou aquele jogador merecia ou não vestir a amarelinha. Quero, sim, destacar o que muitos já destacaram: a falta de respeito de uma seleção de notáveis jogadores com o povo brasileiro, que, diga-se de passagem, fez sua parte como sempre.
Mas realmente não quero falar de posicionamento de jogadores em campo e muito menos de escalação de time. O que faltou ao Brasil, no meu entender, foi identificação com as cores da nossa bandeira, foi comprometimento. Sim! Praticamente todos os nossos atletas jogam em times estrangeiros, afastando-se muito de sua origem. Não existe, já há algum tempo, aquela saudável briga entre rubro-negros e vascaínos, palmeirenses e corintianos, e todas as demais torcidas, na hora de uma convocação. Essa é que é a paixão do futebol. São convocados os astros do Barcelona, do Real Madri, do Milan e de outros grandes times europeus.
Não existiu, como em todas as outras vezes, aquele jogo de despedida da seleção em território brasileiro. Nem isso! Todos os nossos craques foram se agrupando na Europa. Somente 3 foram daqui do Brasil mesmo. Assim mesmo porque Edmilson se machucou e Mineiro foi convocado, porque senão seriam somente 2 dos 23. E na hora da derrota? Um show de apatia em campo e um show de falta de consideração com o nosso povo. Nossos super craques saíram pela porta dos fundos sem dar entrevistas e voltaram para seus países de origem: Itália, Espanha etc...
É evidente que somente uma seleção poderia ganhar a Copa do Mundo. Meus parabéns, portanto, à esquadra Azurra. Mas nossa derrota foi melancólica demais. Não foi como a de 1950. Não foi como a de 1982 e nem mesmo como de 1998, tão discutível até hoje. Foi simplesmente um episódio para esquecer! Uma seleção para esquecer, como estampou tão brilhantemente a nossa imprensa.
Como sugestão, apesar de um tanto utópica, eu mesmo admito, queria que, daqui em diante, fossem convocados somente jogadores que atuassem em território nacional. Teríamos mais intimidade com nossos craques e eles teriam mais comprometimento com a seleção. Estariam motivados para mostrar que os que aqui ficaram são tão bons ou até melhores do que os que foram. E acima de tudo, verdadeiramente brasileiros.
O Brasil é um país de dimensões continentais com mais de 180 milhões de pessoas. Em cada esquina, em cada escola, em cada clube existe, pelo menos, um time de futebol. Diferentemente dos europeus, que têm diversas paixões esportivas, a grande paixão brasileira é o futebol. Os outros esportes ficam léguas atrás. O Brasil, por todos esses motivos, é um celeiro ininterrupto de craques. Por que temos então que convocar obrigatoriamente uma seleção estrangeira?
Pois bem, se os grandes craques, que jogam no Exterior, quisessem participar da Copa do Mundo vestindo a amarelinha, teriam que voltar a atuar por algum clube brasileiro pelo menos 1 ano antes da Copa. Fica a sugestão! Se continuarmos assim, seremos sempre uma grande fábrica de jogadores para exportação, mas com uma seleção sem brilho, apática e, principalmente, sem pátria, como a que vimos na Alemanha. Jogadores tão talentosos, mas uma seleção para ser esquecida eternamente!
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
e-mail do autor:
jala@asb.com.br
|