Espaço de sobra para baixar Selic
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) tem, no momento, espaço de sobra para baixar a taxa de juros básica da economia, visto que as projeções de inflação para este ano já estão abaixo dos 4%, uma vitória indiscutível da equipe econômica deste governo. Parece-me que a redução de 0,5% na taxa Selic nessa reunião do Copom já são favas contadas. Com isso, os juros básicos já cairiam para 14,75% ao ano, a menor taxa desde a implantação do real em 1994.
Resta saber quais serão os próximos passos do BC nas reuniões que ainda vão acontecer daqui em diante. Como disse, existe espaço de sobra para uma queda maior da Selic, mas não creio que o BC vá muito além dos 14% até o fim do ano. A atitude conservadora do Copom tem suas razões, fundamentadas principalmente em um histórico complicado na história econômica recente do País. Mesmo assim, 14% será uma taxa boa indiscutivelmente para os nossos padrões, apesar de ainda serem as campeãs mundiais no quesito juros reais, que ainda serão superiores a 10%.
Contudo, considerando que entramos realmente num círculo virtuoso, vejo, num futuro bem próximo, taxa de juros reais por volta de 8% já no ano que vem e de uns 5% daqui a uns 3 anos. É interessante verificarmos que, com toda a crise externa nos últimos meses e com a alta excessiva do petróleo no mercado internacional, o Brasil obteve elevação na classificação de risco segundo avaliação de 3 grandes agências internacionais e que o risco-Brasil se consolidou na faixa dos 250 pontos, menor patamar de toda nossa história.
Pois bem, estamos chegando a uma inflação de 1º Mundo, mas com uma taxa de juros que ainda inviabiliza um crescimento mais pujante, tão importante para o desenvolvimento sustentável do país. Mas vamos dar mais um voto de confiança ao Banco Central brasileiro, que vem fazendo seu trabalho de modo extremamente responsável. No momento em que as variáveis econômicas forem mais viáveis serão feitos cortes mais profundos na Selic. E esse futuro que está cada vez mais próximo.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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