Amor à pátria sem chuteiras
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O Brasil seria melhor, em todos os aspectos, se esse patriotismo, que desperta de forma tão esplendorosa em épocas de Copa do Mundo, se estabelecesse de forma definitiva no nosso dia a dia. Tomo emprestadas as palavras de um ex-presidente americano: “não pergunte o que seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer por seu país”. Seguindo essa linha de raciocínio, bateu-me um sentimento que eu gostaria de compartilhar com você: ao invés de o patriotismo ser apenas uma paixão passageira, ele deveria estimular nossa razão.
Já tivemos ótimos exemplos de que isso pode efetivamente acontecer. Na época do racionamento de energia, assistimos à uma população engajada. As pessoas se sacrificaram, ficaram no escuro, evitaram banhos demorados de chuveiro elétrico e deixaram, por bastante tempo, desligados alguns aparelhos. E a meta do governo federal foi atingida graças a esse comprometimento. Foi um belo exemplo de união em prol da nação.
Tal acontecimento nos remete também, há alguns anos, quando vimos uma nação envolvida na campanha pelas Diretas Já, em 1984. Milhares de pessoas dirigiram-se aos centros das grandes cidades brasileiras para pedir o voto direto e o direito de escolher o presidente da República. Políticos de várias tendências reuniram-se em palanques e espelharam o desejo da população. Levou ainda alguns anos, mas, com certeza, graças a essa mobilização, reconquistamos esse direito.
Outra demonstração de que a união pode mudar os rumos do país foi o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Multidões saíram às ruas para protestar contra as irregularidades envolvendo seu governo. E olha que Collor chegou ao governo como um salvador da pátria, o Caçador de Marajás. Mas a decepção com o primeiro presidente eleito democraticamente após 20 anos de ditadura militar fez o povo reunir forças para tirá-lo do poder. E conseguiu!
Foram essas as 3 passagens de nossa história recente que mais me marcaram. Fora isso, somente vejo semelhante demonstração de patriotismo na união que se dá em torno da nossa seleção em copas do mundo. Mas é muito pouco, não acha? Insisto em falar de uma paixão ainda distante dos nossos corações, uma paixão muito além das 4 linhas, muito além das chuteiras. Minha proposta é pensarmos na possibilidade de amarmos o nosso Brasil mesmo sem chuteiras, mesmo fora das 4 linhas, como nesses 3 exemplos aqui citados. Mas um amor continuado, dia após dia, sem a necessidade de campanhas motivadas por um fato isolado ou por um interesse momentâneo. Que tal, ao invés de dizermos que todos os políticos são corruptos, nos apoiarmos naqueles que honram os seus mandatos? E eu tenho convicção de que não são poucos.
A união que toma conta do povo brasileiro na Copa do Mundo e nos faz tão patriotas deveria continuar em cada lar desse Brasil a começar pelas próximas eleições. Podemos ir às urnas, em outubro, vestidos com a camisa do Brasil. Votaríamos com segurança, confiança e comprometimento com a melhoria do país. Deveríamos nos empenhar mais em pesquisar a vida do candidato, saber o que ele faz e, principalmente, acompanhar seu desempenho após eleito. Só assim podemos ter o controle dos resultados de nossa escolha.
O potencial do nosso país é grande demais. Há quantos anos ouvimos falar que o Brasil é o país do futuro? Pois bem, eu quero que sejamos o país do presente. Mas isso não acontece da noite para o dia. Muitos passos foram dados nos últimos anos nos campos político, econômico e social. É hora de apressarmos um pouco mais o passo com nossa contribuição patriótica diária.
Não devemos ser patriotas apenas por um único mês, de 4 em 4 anos. Somente sendo patriotas 365 dias por ano é que realmente construiremos uma grande nação. Mesmo tendo perdido a Copa do Mundo, que tal vestirmos a camisa amarela e deixarmos a bandeirinha brasileira no nosso carro para sempre?
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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