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Comentarista: José Arthur Assunção
Grito de socorro (Eles não têm nada a perder)

O pronome pessoal do caso reto "eles" é aquele que usamos quando não conseguimos identificar o sujeito da oração ou quando até podemos identificar, mas não queremos por algum motivo. Eu usei esse sujeito indeterminado no título justamente porque, talvez por defesa própria, nós tentemos fingir que a população carcerária brasileira não exista. Trata-se de algo muito longe de nós. “E é bom que fiquem longe mesmo”, dirão muitos. Pois bem, minha proposta é que, passados os tristes episódios ocorridos em São Paulo e em outros dois estados da Federação, pudéssemos refletir um pouco mais, levando em consideração que “eles”, os presidiários, existem.

Sei que posso ser alvo de críticas, principalmente de setores mais conservadores de nossa sociedade, mas, para mim, o maior erro em toda essa história não foi denunciado por nenhum especialista nem pela imprensa nesses últimos dias: a falta total de esperança dos detentos, que nada têm a perder. “Eles” vivem em prisões super povoadas, sem espaço nem para se coçarem. "Eles" não têm, na maioria dos casos, apoio familiar nem jurídico e muito menos uma assistência de saúde. O que podem esperar da vida? Sei que muitos dos meus leitores, nesse momento, pensarão: "Sim, mas o que eu tenho a ver com isso? Eu, que pago meus impostos em dia, que sou um homem de bem, uma mulher de bem?" Visto por esse ângulo, é verdade que você, leitor, não tem nada a ver com isso mesmo. Mas então por que você próprio, principalmente o paulistano, sofreu tanto nesses últimos dias? Pois bem, será mesmo que vale a pena esquecer da existência “deles” ou seria melhor entender um pouco mais o pedido de socorro dos presidiários brasileiros? Eu quero entender. Se você também quer, continue a refletir comigo.

Cada grupamento humano fala uma língua. Isso varia de país para país, às vezes de etnia para etnia, e outras vezes de acordo com o que se aprende desde tenra idade. Se o norte-americano fala inglês, se quem mora na França fala francês, o presidiário brasileiro fala a linguagem da violência. Tudo que ele conseguiu na vida foi através da violência. Eu me coloco na posição de um presidiário, nesse momento, e tento entender o que ele sente no seu dia-a-dia. Só me vem uma coisa à mente: quando eu vou sair dessa prisão? Mas a partir do momento em que “eles” não contam com uma assistência jurídica, que esperanças terão no futuro?

O único jeito de pedir socorro é se rebelar, ser violento. É sempre assim que "eles" conseguem alguma coisa. Quando ficam paradinhos, quietinhos por um longo tempo, ninguém lembra que existem. Uma pessoa sem perspectivas vira massa de manobra. Foi o que aconteceu em São Paulo. Poucos controlaram milhares, que nada têm a perder. Para alguém que nada tem a perder até a morte é lucro. Sempre que acontece um episódio como esse, só se fala na criação de uma legislação de vingança, que nunca resolveu, não resolve e nem nunca resolverá nada. Por que ao invés de pensarem dessa forma, nossos congressistas não encaram o fato real? Tirar mais direitos dos presos só vai agravar ainda mais a violência. No momento em que tiverem a família mais presente, assistência jurídica, assistência de saúde e um lugar decente para viverem, "eles" passarão a ter algo a perder. Não vão tentar fugas extraordinárias e dificilmente voltarão a ser massa de manobra.

Nos Estados Unidos não há uma rebelião em presídios desde 1980 – por que será? Enquanto viverem na ociosidade plena, como acontece em nossas prisões, em condições muito piores que os animais do Jardim Zoológico, "eles" continuarão a pedir socorro com a única linguagem que conhecem: a violência. No Brasil não existe um cronograma a ser seguido em relação aos presidiários. Quem faz o cronograma são “eles” próprios, no momento em que se rebelam. Se não se mexerem, nada anda e ninguém olha por "eles".

Está na hora de políticos, intelectuais e demais cabeças pensantes desse nosso Brasil deixarem um pouco suas diferenças de lado e encararem esse problema de frente. Senão, daqui a alguns anos, nossas instituições talvez não sejam fortes o suficiente para restabelecer a ordem como, a duras penas, conseguiram nesse último episódio.

Revisão e edição: Renata Appel


Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira  
e-mail do autor: jala@asb.com.br
 
 

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