Copom tende a ser mais conservador
Ninguém arrisca palpite sobre o futuro da economia mundial neste momento de turbulência. Mas, mesmo que a crise seja passageira, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) tende a ser bem mais cauteloso na sua próxima reunião. Se a intenção fosse promover uma queda de 0,75% na taxa Selic, o corte não vai passar dos 0,5. E se a intenção fosse 0,5%, não vai passar dos 0,25. Particularmente, apostaria na queda de 0,5%. A taxa Selic iria então para 15,25% ao ano, empatando com a menor taxa de juros registrada no governo de Fernando Henrique Cardoso.
Ainda é muito cedo para fazer projeções sobre o desenrolar da crise internacional, que pode até ser passageira. Não acredito que o mundo vá entrar numa nova crise de grandes proporções. De qualquer modo, haverá uma rearrumação nos mercados. A liquidez, que esteve tão alta nos últimos anos, tende a ser menor e isso impactará certamente os países emergentes. Com isso, o Copom tenderá a ser mais conservador daqui em diante nessa queda gradativa das taxas de juros. As projeções para o fim desse ano, no entanto, não devem mudar muito. Creio que cheguem aos 14%, mas tudo vai depender do andamento da política monetária nos Estados Unidos.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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