Selic perto do piso
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Parece mesmo um paradoxo: se por um lado, o Brasil pratica os juros reais mais altos do mundo, por outro, existe um consenso de que a taxa Selic está ficando cada vez mais próxima do que se supõe ser o seu piso, pelo menos para este ano de 2006. Semanas atrás, as apostas eram de que os juros básicos da economia chegariam a 14% no final deste ano, quem sabe até menos. Agora, no entanto, apesar das projeções não terem mudado tanto, a expectativa é de que se chegue a esses mesmos 14% de um modo bem mais gradativo do que se supunha anteriormente. Essa correção de expectativas aconteceu devido, principalmente, ao teor da ata da última reunião do Copom, divulgada alguns dias atrás. De todos os fatos previstos pela ata, um já ocorreu: a taxa de juros americana subiu para 5% ao ano. Desde os atentados de 2001, quando chegou a 1% ao ano, houve 16 elevações sucessivas de 0,25%, no intuito principalmente de conter a inflação no país do Tio Sam.
Mas voltando aos nossos juros tupiniquins, a ata, como eu já disse, e a elevação dos juros americanos, que não se sabe até aonde vão, reforçaram, para mim, a crença de uma maior ortodoxia por parte do Copom em suas próximas reuniões. Foi ressaltado na ata, por exemplo, que os efeitos da queda de 4% da taxa Selic desde setembro de 2005 ainda não se refletiu no nível de atividade econômica, assim como os efeitos da recente retomada da economia sobre a inflação também não tiveram tempo de se materializar. A ata também deixa clara a preocupação do BC quanto à contínua evolução dos juros internacionais, não somente nos Estados Unidos, mas também na zona do Euro e a perspectiva de que está chegando ao fim o período de juros praticamente nulos no Japão. Outra grande preocupação é a disparada do preço do barril do petróleo, que pode alcançar níveis jamais imaginados. O mercado, de modo geral, acredita na queda de 0,5% na próxima reunião do Copom. Eu também trabalho com essa expectativa desde a divulgação da ata. Apesar de não se viver hoje um cenário tão suave como no início do ano, ainda acredito que a taxa de juros brasileira terminará 2006 por volta dos 14%, mas eu já tive muito mais certeza disso. Não vai ser nenhuma novidade se o Copom der uma parada nesse ciclo de queda dos juros muito antes do esperado. E que a Selic fique quietinha lá pelos 14,25% ou 14,5% em dezembro.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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