Nova de Lei de recuperação de empresas ou do interesse fiscal?
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Atualmente, o setor produtivo revela-se como pilar fundamental da economia, gerando empregos, estimulando a atividade econômica e promovendo a função social. Paradoxalmente, vivemos em uma época de grande dificuldade econômica, norteada pela imposição de alta carga tributária e inflexibilização das leis trabalhistas que acabam por prejudicar o desenvolvimento deste segmento no País. Neste contexto, surge na legislação brasileira o novo instituto de Direito Falimentar que preceitua como seu maior objetivo a recuperação das empresas, evidenciando a tomada de consciência do legislador que previu a necessidade de conceder tratamento diferenciado às empresas que enfrentam situação de crise econômico-financeira. Há, portanto, a recuperação extrajudicial na qual o devedor reúne seus credores, com o intuito de negociar possibilidades que permitam a superação da crise, consignando a referida negociação em instrumento de novação ou renegociação, que posteriormente, desde que preenchidos os requisitos legais, poderá ser homologado judicialmente. E a recuperação judicial, que é aquela requerida pelo devedor diretamente ao juiz que, após análise dos requisitos legais, decidirá pelo deferimento ou indeferimento de seu processamento.
Contudo, para que a recuperação empresarial se efetive, são necessários alguns benefícios que possibilitem o reequilíbrio da empresa, tais como a dilação dos prazos para a efetuação dos pagamentos e a suspensão de todas as ações e execuções em nome do devedor, benefícios estes previstos na legislação somente de forma parcial. O novo diploma legal determina que as execuções fiscais em nome do devedor não serão suspensas, assim como, que após deferimento do processamento da recuperação judicial, o devedor deverá apresentar certidões negativas de tributos sob pena de o juiz não conceder a recuperação.
É sabido que o maior passivo das empresas em dificuldades financeiras é representado por créditos tributários, a exigência de apresentação de certidões negativas, assim como a continuidade do processamento das execuções fiscais, que constituem grave limitação ao sucesso e real aproveitamento deste novo instituto. Face a essas exigências legais, pergunta-se: este novo diploma nasceu com o intuito de preservar as empresas, ou de assegurar, mais uma vez, o direito do fisco? Ante ao objetivo maior que é a preservação da empresa, deve o magistrado flexibilizar as exigências legais diante do exame de cada caso concreto, do contrário, a nova lei de recuperação de empresas não sairá do papel.
Revisão e edição: Renata Appel
Especialista em Direito Empresarial (PUC-PR) e advogada do escritório Idevan Lopes Advocacia & Consultoria Empresarial.
e-mail do autor:
rosana@idevanlopes.com.br
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