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Comentarista: José Arthur Assunção
Irmãos que não se cruzam. Até quando?

Você, certamente, conhece inúmeras histórias de irmãos de sangue que não se dão bem ou mesmo que não se falam. Os motivos alegados pelas partes geralmente são bastante convincentes para seus interlocutores. E, às vezes, é até bom mesmo que não se dirijam a palavra para o bem de ambos. Mas de uma coisa eles nunca poderão fugir: são irmãos sim e ninguém vai mudar isso, queiram eles ou não.

Essa historinha tem tudo a ver com os dois partidos que polarizam, hoje em dia, as emoções e preferências do eleitorado brasileiro: o PT e o PSDB. Eles tentam, de todos os modos, se desvincular um do outro, mas nada mudará suas origens. Como qualquer grupamento de irmãos, eles têm lá suas divergências, suas diferenças, mas o sangue é o mesmo.

Por mais que o PSDB diga que a aliança natural seja com o PFL e por mais que o PT tenha feito uma aliança com o PL, é difícil achar muitos pontos em comum nos programas de partidos tão diferentes na essência. Que aliança seria mais natural que a do PT com o PSDB? “Que sacrilégio!” dirão muitos ao ler o que estou escrevendo. Mas essa é uma opinião compartilhada por muita gente neste País.

Pois bem, mas hoje PT e PSDB são adversários. Não são adversários comuns não. São adversários de morte. A campanha para a Presidência da República desse ano deverá ser marcada não pela discussão de programas e de soluções para o nosso país, mas sim pela briga sangrenta de petistas contra peessedebistas. É uma pena. Sim. Primeiramente porque não vamos chegar a lugar algum na discussão de quem é mais corrupto, e não avançaremos em temas tão importantes para o desenvolvimento efetivo do Brasil.

O que me chama a atenção, no entanto, é que mesmo com tanto disse-me-disse, tanta farpa daqui e de lá, não existe quase risco algum de a economia brasileira vir a sofrer como sofreu durante a campanha de 2002. Isso porque todo o medo que se tinha de um governo do PT foi dissipado com o comprometimento do partido e do Presidente Lula com regras já postas em prática desde o governo de seu antecessor.

São dois partidos que brigam, mas são dois partidos responsáveis e comprometidos com o País. Não são partidos populistas. Não existe qualquer alvoroço nos mercados, porque ganhe quem ganhar, Lula ou Geraldo Alkmin, os contratos serão respeitados e o direcionamento da política econômica continuará responsável e cada vez mais consistente na construção de uma economia sólida. Perigo vai haver se alguma candidatura mais aventureira aparecer, em algum momento, com números expressivos nas pesquisas eleitorais. Mas como isso, para mim, é extremamente difícil, estou certo de que o próximo presidente será ou Lula novamente ou virá do PSDB.

Quem ganhar já sabe que terá uma oposição ferrenha da outra parte a partir de 2007, mas será mantido o rumo atual e é por isso que a economia vai tão bem, obrigado. Creio, com muita esperança, que, em certo momento, num futuro não tão longínquo assim, esses irmãos voltem a dialogar para o bem da democracia brasileira, para o bem de nossas instituições, para o bem de nosso país. Não acredito numa fusão de PT com PSDB como já chegou a ser cogitado, mas acredito numa maior aproximação dos dois pólos da política nacional em direção ao bem comum.

O PSDB não tem nada a ver com o PFL, muito menos o PT tem algo a ver com o PL ou com a maioria dos partidos da base aliada. PSDB tem a ver com PT e vice-versa. Queiram eles ou não. Queiramos nós ou não. Um dia eles vão amadurecer. Esse dia vai ser esplendoroso para a nação brasileira.

Revisão e edição: Renata Appel


Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira  
e-mail do autor: jala@asb.com.br
 
 

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