Hiper e Hipoglicemia
O diabete melito é um distúrbio que se manifesta por alterações no controle da glicose no sangue e também no metabolismo das proteínas e gorduras. O tratamento do diabete visa evitar sinais e sintomas e proporcionar uma boa qualidade de vida. Para que isso seja obtido, é necessário que exista um bom controle na glicose, mantendo níveis próximos ao normal. Neste artigo, vamos descrever alguns aspectos dos quadros de hiper e hipoglicemia.
Hiperglicemia
Causas de glicose alta no sangue:
· Ingestão de comida em excesso
· Aplicação de quantidade insuficiente de insulina
· Diminuição ou não de aplicação de insulina
· Não utilização dos remédios
· Doenças, febre, infecções, etc...
· Sobrecarga emocional
· Falta de realização de exercícios usuais
Sinais e sintomas de glicose alta no sangue:
· Sede excessiva, boca seca
· Aumento da quantidade de urina
· Visão borrada
· Fome
· Cansaço, fraqueza
· Dor de cabeça
· Pele seca
· Perda de peso
A hiperglicemia ocorre quando o nível de glicose no sangue está elevado. Quando a glicose chega acima de 180 mg% é excretada pela urina, levando junto líquidos, com um conseqüente aumento no volume urinário. A sede e quantidade de urina aumentada são freqüentemente os primeiros sintomas de diabetes.
Cetoacidose Diabética
Quando existe uma deficiência de insulina mais intensa, como acontece nas pessoas com diabete tipo 1 (insulino-dependentes), podem surgir, associados aos sintomas acima, náuseas, vômitos, cansaço, fraqueza, perda de peso, dor abdominal, respiração rápida e profunda com sensação de falta de ar, dores no corpo e hálito cetônico (odor de maçã passada). As náuseas e vômitos impedem a ingestão de alimentos e líquidos, o que seria necessário para compensar as perdas ocorridas devido à urina excessiva e aos vômitos. Isto leva o paciente à desidratação. Esse quadro é chamado de cetoacidose diabética e pode evoluir para confusão mental e perda de consciência. A causa mais comum de cetoacidose é infecção, que pode ocorrer em vários locais, como: urina, rins, pulmões, intestino, etc. Outras causas são: aplicação errada de insulina, traumas emocionais e qualquer alteração que leve a um aumento da necessidade de insulina em pacientes com diabete tipo 1.
Todo diabético que estiver com vômitos ou com suspeita de cetoacidose diabética deve ser levado imediatamente a um serviço de emergência. Uma vez confirmado o diagnóstico, o paciente será tratado com hidratação com soro, eletrólitos (sais) e insulina de ação rápida, administrados por via endovenosa, e será detectado o fator desencadeante desse quadro. Dependendo da causa e do tempo de evolução, em geral, em algumas horas de tratamento intensivo, o paciente melhora e pode voltar ao seu tratamento anterior.
Hipoglicemia
Causas de glicose baixa no sangue:
· Comer pouco
· Atrasar ou não fazer uma refeição ou lanche
· Fazer exercícios mais intensos ou por mais tempo que o habitual
· Aumentar a dose de insulina ou de remédios
· Doenças
· Beber bebidas alcoólicas, principalmente não acompanhada de alimentos
Sinais e sintomas de glicose baixa no sangue:
· Tremores
· Ansiedade
· Palpitações no coração
· Palidez
· Irritação
· Fome, náuseas
· Sudorese fria
· Fraqueza, tonturas
· Falha na memória, dificuldade de concentração
· Fala alterada
· Perda de coordenação de movimentos
· Distúrbios de comportamento
· Visão dupla ou borrada
· Alteração na visão de cores
· Perda de consciência
· Convulsões
Em pessoas não diabéticas a glicose sangüínea é regulada para se manter em limites estreitos entre 60 mg% e 125 mg%. A hipoglicemia é quando a glicose cai a valores abaixo de 50 mg%. Com estes níveis, a pessoa não se sente bem e pode apresentar vários sintomas como: tremores, sudorese fria, sensação de fome, palidez, taquicardia, palpitações, visão borrada ou dupla, distúrbios de conduta (agressividade, apatia, etc.), tonturas, dor de cabeça, dentre outros menos freqüentes. Em casos mais graves, pode acontecer a perda de consciência, o que caracteriza o coma hipoglicêmico.
A hipoglicemia faz parte do tratamento do diabete melito, principalmente nos pacientes que utilizam insulina, pois a meta de bom controle é manter as oscilações da glicose muito próximas do que acontece em pessoas normais. Desta forma, do mesmo modo que podemos ter alterações para cima com níveis elevados, também existe a possibilidade de ocorrer com freqüência quedas de glicose durante o tratamento adequado do diabete.
É importante confirmar o diagnóstico de glicose baixa no sangue com a medida da glicemia capilar, pois existem situações em que pode haver sintomas, sem que exista hipoglicemia.
O tratamento da hipoglicemia deve ser com ingestão de alimentos que, dependendo do nível de glicose, podem conter açúcar ou não. Pode-se utilizar pastilhas de glicose ou alimentos como, por exemplo, um copo de leite, algumas bolachas salgadas ou um copo de refrigerante não dietético. Na busca de um bom controle do diabete, não devemos "aproveitar" o momento da hipoglicemia para comer todos os doces que estejam disponíveis, pois a cada episódio de queda de glicose, teremos um período prolongado de aumento da glicemia.
Algumas vezes, a hipoglicemia pode ocorrer à noite, durante o sono. Nesse caso, os sintomas não são claros e devemos suspeitar quando existem queixas de pesadelos, sudorese intensa, dor de cabeça ou cansaço ao acordar pela manhã.
A perda de consciência por hipoglicemia (coma hipoglicêmico) é uma situação menos freqüente, que ocorre quando a glicose fica em valores muito baixos. Isto acontece devido ao uso de doses excessivas de insulina e também em pessoas que têm alterações no mecanismo de defesa hormonal contra a hipoglicemia, acarretando a não produção pelo fígado de glicose.
O coma hipoglicêmico deve ser tratado com glicose endovenosa ou com injeção de glucagon por via subcutânea ou muscular. Deve-se evitar a ingestão de açúcar ou alimentos pela boca quando a pessoa está com perda da consciência, pelo risco de ocorrer uma pneumonia de aspiração.
Apoio: Dr. Airton Golbert - Médico Endocrinologista
Revisão e edição: Renata Appel
Médico do Trabalho, Diretor da Porto Alegre Clínicas e Presidente da ABRAMGE SUL
e-mail do autor:
alexandre@portoalegreclinicas.com.br
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