Política econômica de quem?
Eu estou convencido de que a política econômica adotada por esse governo e que teve seu início no governo anterior não pertence mais nem a esse nem àquele e muito menos a um conjunto de pessoas ou mesmo a uma pessoa só. As conquistas de nossa sociedade no campo econômico não serão jogadas fora por nenhum governante que venha alçar o posto de Presidente da República. Conquista é conquista. Ninguém tira!
Há uns meses eu escrevi um artigo em que mostrava a importância de Antônio Palocci na condução da política econômica e, defendi que, sem ele, correríamos grandes riscos. Pois bem, mais uma vez eu vejo o hoje Ministro Palocci enrascado. Torço para que realmente ele esteja falando a verdade, afinal sempre se mostrou um homem de caráter em suas palavras firmes e de muita competência em seus atos. Mas já não apostaria todas as minhas fichas na permanência no ministério da Fazenda. Nem mesmo sei se quando esse artigo for publicado ele ainda será ministro.
De qualquer forma, o mais importante para mim, nesse momento, já não é a permanência de Palocci na Fazenda. Preciso ressaltar um sentimento que venho tendo nos últimos meses e que, creio, seja de grande parte do povo brasileiro: mude ou não o Ministro, mude ou não o Presidente, a economia brasileira seguirá, em passos firmes, para a sua consolidação. Ninguém poderá mais brincar na condução da política econômica. Não se podem aceitar irresponsabilidades do tipo: por que não uma taxa de inflação um pouquinho maior em prol do crescimento do país? Esse filme já foi visto várias vezes.
Um país só cresce verdadeiramente construindo bases e instituições sólidas. O governo de Fernando Henrique criou as bases dessa política econômica, corrigindo alguns desvios de percurso ao longo do caminho, como no caso do câmbio. O governo Lula elevou o superávit primário e vem promovendo uma revolução no comércio exterior. Mesmo com o dólar tão baixo, nossa balança comercial continua bastante superavitária. Mas não quero enaltecer nem Fernando Henrique nem Lula. Quero enaltecer sim a luta por uma sociedade mais justa, que propiciou a estabilização monetária do Brasil, depois de tantos planos fracassados, e a construção de um ambiente econômico favorável ao investimento.
Evidentemente muitos percalços ainda existem pelo caminho. Caberá ao novo presidente ou a um próximo mandato de Lula diminuir os gastos correntes para que se invista mais no País. Caberá também uma diminuição da carga tributária, que só aumenta ano a ano. Não vejo espaço para retrocesso. Não creio mais que a certeza da continuidade da política econômica esteja depositada numa só pessoa. Seja o Ministro da Fazenda que for, seja o Presidente que for, a economia brasileira vai continuar avançando e resolvendo seus problemas estruturais para que, num futuro muito próximo, sejamos um modelo de desenvolvimento para o mundo: uma visão que muitos diriam ser ufanista, mas que eu não abro mão por conhecer a potencialidade desse país e, principalmente, desse povo.
Admiro Antônio Palocci, sobretudo sua competência. Mas já não consigo julgá-lo imprescindível. Esteja ele ministro ou não, os avanços econômicos serão preservados e inexoravelmente o Brasil vai seguir avançando no seu trajeto rumo ao 1º Mundo.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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