Já cumprimentou o seu gerente hoje?
O contato humano tem diminuído demais nos últimos tempos. Hoje em dia, somos pegos na rua falando com um pequeno aparelho em uma das mãos (celular), conversando com o computador (salas de bate-papo), consultando nosso saldo bancário com uma pessoa com voz e jeito de falar de um robô (atendimento eletrônico), entre outras situações. Mas ainda há um momento onde o humano volta a ser o ator principal. O cumprimento tímido, as mãos suando, os movimentos hesitantes, a troca de olhares e as palavras suaves são elementos característicos de um acontecimento importantíssimo em nossas vidas: a tentativa de se conseguir aquele tão necessário empréstimo junto ao gerente do seu banco!
O gerente recebe o interessado pelo empréstimo e segue uma série de ações-padrão, estipuladas pela agência onde trabalha. Munido do CPF (Cadastro de Pessoa Física) do cliente, ele tem acesso às mais escondidas informações sobre a saúde financeira do interessado. Pendências junto às instituições protetoras de crédito, baixas movimentações nos últimos meses e cheques devolvidos são reprovadores. Vale lembrar também que, nessa consulta, o gerente não visualiza o histórico do seu cliente, mas somente a situação atual: uma pendência já resolvida não aparece.
Caso o cliente passe no teste do CPF e da comprovação de renda (baixa renda ou renda não comprovada com documentos oficiais também são excludentes), o gerente está livre para dar as cartas. Para valores de, no máximo, R$ 6 mil, a maioria das instituições bancárias permite a liberação imediata do empréstimo. Para valores maiores, o pedido será analisado no setor responsável pelo Crédito, que dará um prazo de 2 a 5 dias para responder. Este é um trabalho que não deixa muita margem de improvisação para o gerente, já que o contrato de empréstimo é padrão para todos os clientes. Ele não pode se esquecer que o empréstimo é uma das maiores fontes de lucro do banco onde trabalha e o seu “sim” ou seu “não” dependerá da segurança que o cliente tem para proporcionar à instituição. O cliente com o perfil ideal (boa movimentação bancária, sem débitos, correntista há anos...) praticamente não existe mais. Muitas vezes, ao consultar as pendências financeiras, descobre-se que a dívida do cliente é com o próprio banco (e isso acontece, por mais incrível que pareça!). Perguntar o motivo do empréstimo também é uma das armas que o gerente tem para garantir que a sua decisão será a mais correta.
A maioria das pessoas que passam pela mesa do gerente pertence à classe média, com idade média entre 30 e 40 anos e, desesperadas por crédito, tentam fazer o empréstimo para pagar outras dívidas. Por causa desse desespero, se sujeitam facilmente às regras do jogo e aos altos juros praticados pelos bancos. Jovens, apesar de não aparecerem com freqüência, buscam empréstimos para saldar dívidas com instituições de ensino superior e cartões de crédito.
Mas se você é daqueles que não está a fim de ter esse tipo de “contato humano” com o seu gerente, também há outras saídas. Muitos bancos disponibilizam pela internet ou por telefone um crédito pré-aprovado (com valor considerado baixo, até R$ 500). Contratando esse serviço, você já fica sabendo na hora o quanto passa a dever para o banco e escolhe em quantas vezes deseja pagar. Essa opção oferece também juros mais baixos do que o amigo gerente pode proporcionar.
Revisão e edição: Renata Appel
Consultor Financeiro, Conferencista, Especialista em Economia Doméstica e Direitos do Consumidor. Autor do livro Paz, Saúde e Crédito – Editora Mundial e do Projeto para inclusão da disciplina "Educação Financeira nas Escolas".
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