PIB fraco não influencia Copom
As políticas implementadas por um governo não devem ser mudadas diante dos obstáculos naturais de um percurso. Sou um defensor enfático e entusiasta da política econômica adotada por esse governo, que aprofundou ainda mais a do governo anterior, alcançando grandes avanços. Só que na 6ª feira, antes do Carnaval, veio a notícia de que o Produto Interno Bruto (PIB) havia sido de 2,3% em 2005. Foi estarrecedor, disseram a maioria dos entrevistados nos jornais de sábado. Mas se esqueceram de uma coisa: todo mundo já esperava esse número. Então por que o espanto?
Vou deixar claro que não estou nem um pouco satisfeito com o resultado do PIB brasileiro em 2005. Mas, já há alguns anos, o país vive um ciclo de ajustes na economia que precisa ser considerado. E, no ano passado, além de a inflação ter mostrado novamente suas garras, ainda vivemos sob forte pressão da crise política, que, com toda certeza, postergou decisões de investimentos.
Com o fraco resultado do PIB, surgiram logo os acenos para o fim do mundo: “O Brasil só cresceu mais que o Haiti”, disseram os mais exaltados. Meu Deus, chega a ser uma heresia comparar nossa economia com a do pobre Haiti. E mais. Compararam a economia brasileira com a da Argentina: “Os argentinos cresceram mais de 9%”, foi dito. E é verdade. Mas quanto caiu o PIB da Argentina nos muitos anos de recessão por que passou recentemente? O que acontece agora não é crescimento propriamente dito, é apenas recuperação de terreno perdido. E nossos vizinhos argentinos nada têm para se orgulhar. Promoveram um dos maiores calotes da história econômica mundial. A Argentina quebrou. O Brasil não. Faz o dever de casa com seriedade.
Seria a hora então de o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) ser mais agressivo na queda da taxa básica de juros? Claro que não. A queda de 0,75% na taxa básica é o que deverá ser feito, queiram ou não as centrais sindicais e o setor produtivo da economia. A base para um futuro sólido está sendo construída sob fogo cruzado de todas as partes, mas, sem dúvida, quem hoje dispara o rojão, um dia vai ter que dar a mão à palmatória.
Nossa bolsa de valores bate recordes atrás de recordes, o dólar continua num patamar extremamente baixo, mas que vem mantendo a balança comercial bastante superavitária. E o Risco-Brasil pode baixar dos 200 pontos ainda este ano. Estamos por muito pouco para entrarmos no chamado grau de investimento. É evidente que a oposição fez a festa com o anúncio do PIB de 2005 e o Presidente, ressabiado, fez algumas declarações inoportunas sobre a política econômica. Mas tudo dentro do script.
O País vive um momento promissor. Nem mesmo as eleições afetarão a economia. Em 2002, vivemos o caos com a possibilidade da vitória de Lula àquela altura. Hoje, a situação é bem mais confortável. Não existem especulações sobre mudanças na política econômica. O Brasil tem tudo para crescer bem mais que em 2005 com a gradativa queda dos juros básicos e a manutenção dos indicadores macroeconômicos extremamente saudáveis, como certamente nunca aconteceu em nenhum momento de nossa história. Isso não é coincidência. É fruto de um trabalho sério e competente.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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