Direitos de vida ou morte: o problema do petróleo
A zona do Oriente Médio é de dificílima compreensão: língua, cultura, sociedade, comportamentos extremistas. Países demais, pequenos e complicados limites geográficos. Disputas milenares. Sou ignorante e até meio burra, confesso, para entendê-los. Nunca me fascinou a não ser através de Sherazade. Na verdade, me assusta. Como ficaríamos se os países produtores de petróleo dominassem o mundo? Ou já dominam e nem sabemos de nada? Ou eles são fantoches de outros dominadores?
Como viveríamos controlados por fanáticos, com cultura da Idade da Pedra, olho por olho e dente por dente, ou melhor, unha por unha? Como ficaria a mulher sem direito algum a não ser servir ao homem tal como um camelo? Andar no mínimo a um metro e meio de distância física? Naquela região, a mulher é anulada totalmente. No filme Syriana – a história do petróleo, de Stephen Gagan, são poucas as personagens femininas no meio de milhares de homens: uma negra e negociadora americana, uma agente da CIA que trai seus subalternos (ou foi manipulada pelos colegas?), uma esposa americana que perde um filho eletrocutado em casas automatizadas adquiridas pelos poderosos do petróleo e que volta para os EUA, local supostamente seguro. No filme parece ser.
Os direitos das mulheres só existem nas democracias? O longa-metragem mostra o quanto o ser humano tem sido dominador, manipulador e é assustador quando se trata de poder e de capital. Ao sair da sala de exibição, comentei que o assunto não me interessa porque me amedronta. E ouvi: é óbvio que não, pois não há espaço algum para uma mulher naquela região.Senti medo do poder bélico americano a comandar sem dar chances para a região, medo de que aquela região seja controlada por um fanático que queira novamente limpar a raça como fez Hitler. Estou noutra, pensei, ainda bem que não estou ali. Meu repertório não agrega informações desse tipo porque nem saberia o que fazer com elas.
O filme expressa, na forma confusa de contar, o seu tema complexo. O fio condutor da história não é percebido facilmente. Após uma hora, eu não conseguia me situar. A quantidade de personagens é tanta que parece não haver roteiro. Como num jogo de xadrez que se move muito rapidamente, peça por peça, até chegar num “xeique-mate”, literalmente chocante e esperado, um clichê deprimente.
Não há respostas, mas muitas perguntas. Como é mesmo na realidade. Que seríamos sem o petróleo? Felizmente, no Brasil, pelo que dizem os jornais, estamos em melhores condições do que anos atrás. Que seríamos sem a energia? A selvageria capitalista, o movimento que não sabemos existir – mas que está na tela do cinema e na vida real (foi baseado também em fatos verídicos...) – pode esclarecer quem ainda tenha dúvidas quanto à Guerra no Golfo e à invasão do Iraque pelos americanos. O que se sabe é pouco verdadeiro. Os espiões não são escritores.
A fita faz levantar o tema da democracia – contraponto aos sistemas tiranos – quando a singularidade das pessoas é respeitada e se pode ter utopias para seguir (apesar das desilusões no ano que passou). Utopias! Que seríamos não fossem elas!
Revisão e edição: Renata Appel
Escritora, Arteterapeuta, Mestre em Arquitetura, Consultora.
Site: www.sanaarquitetura.arq.br
e-mail do autor:
marilice.costi@sanaarquitetura.arq.br
|