Copom não vai ser eleitoreiro
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) não vai entrar em nenhuma onda eleitoreira nem na reunião desta semana nem em qualquer outra reunião de seus membros neste ano de 2006. São dois os motivos pelos quais eu faço essa afirmação: primeiramente porque tenho um profundo respeito e admiração por essa equipe econômica, que já deu sinais incontestes de credibilidade nesses 3 anos que está à frente de nossa economia, sob a condução firme do Ministro da Fazenda, Antônio Palocci. E o motivo principal: o povo brasileiro já está vacinado contra manobras eleitoreiras. Basta vermos o descontentamento de todos em relação a essas obras tapa-buracos nas estradas brasileiras, coisa típica do período de eleições.
Quando o Copom cortou a taxa de juros básica na reunião de dezembro em apenas 0,5%, ele já disse um “não ao populismo” em alto e bom tom. Havia muito disse-me-disse, na época, devido ao fraco desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do 3º trimestre de 2005. O Copom não toma decisões baseadas no desespero e muito menos por objetivos eleitorais. Tecnicamente, está evidente que a decisão de baixar em 0,5% a taxa Selic nesta reunião de janeiro é a atitude mais correta e prudente. Se a queda ficar em 0,75% também não será nada alarmante, já que teremos somente 8 reuniões este ano. De qualquer forma, se eu tivesse que apostar, apostaria na queda de apenas 0,5%.
A economia brasileira deu saltos gigantescos em 2005. Um novo recorde na balança comercial, nova diminuição da relação dívida interna/PIB, Risco Brasil abaixou dos 300 pontos e inflação mais uma vez em declínio. Tudo está preparado para que os frutos sejam colhidos muito brevemente. Nada pode pôr em risco à estabilidade. A inflação precisa ser combatida sempre e sem trégua por toda a sociedade. O controle da inflação é a certeza de que a renda dos brasileiros não será devorada a cada mês. Tenho certeza que o Banco Central está atento a tudo isso. O ano eleitoral de 2006 terá que ser tratado com todo cuidado pelos governantes do País. Será preciso reiterar, mais vezes, que a política econômica é essa que está aí e que não vai mudar.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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