Contradições, incoerências... esse foi 2005
Antes de iniciar, leitor, preciso deixar claro que confio plenamente no futuro do Brasil. Seremos potência mundial um dia e não está tão longe assim. Mas enquanto esse dia não chega, vou falar das grandes contradições e incoerências que marcaram nossas vidas nesses 365 dias. Vou enumerar somente algumas e você, com toda certeza, vai lembrar de outras tantas, num exercício de memória que vale a pena nessa virada de ano.
Vamos lá: O PT, partido que sustenta o governo Federal, está esfacelado e ferido de morte naquilo que era a sua grande bandeira: a ética. O homem forte do governo Lula, aquele que exercia um cargo típico de Primeiro Ministro, o ex-deputado José Dirceu, teve seus direitos políticos sumariamente cassados. Mas se, por um lado, o partido que sustenta o governo Lula, está golpeado de morte, por outro, a economia do País, comandada por caciques desse mesmo partido, colhe frutos de um trabalho sério e competente, feito com bastante afinco durante esses 3 últimos anos. O Brasil tem indicadores econômicos invejáveis. Nunca, na nossa história, – expressão que Lula gosta tanto de usar – produzimos números tão expressivos na economia.
Um recorde soberbo na balança comercial, que chega próximo aos US$ 45 bilhões, apesar de uma forte desvalorização da moeda americana, que só fez cair nos últimos tempos. Hoje, ninguém pensa em fazer poupança em dólar. Quem arriscar vai perder dinheiro. Tem dólar aí para dar e vender, mas parece que ninguém está querendo. Quer contradição maior que essa?
Quer outra? O Risco-Brasil, que chegou próximo aos 2500 pontos no auge da crise de confiança em 2002, por medo do governo do PT, bate agora os 300 pontos, recorde histórico. E isso se deve aos acertos da política econômica desse mesmo governo do PT.
E o FMI, hein? Quem poderia imaginar que o governo do PT fosse ser um cliente Classe A do Fundo Monetário? Ao invés do temido calote, pagou integralmente e antecipadamente a dívida com o fundo. A economia voa em céu de brigadeiro, conduzida pelo mesmo governo que se provou mais corrupto que todos os outros que passaram, até então, pelo Palácio do Planalto. Até mesmo que o de Fernando Collor de Mello, execrado em praça pública.
E a área social? Pois bem, nessa área em que se esperava tanto do PT, uma decepção. Esse é um governo que prima pela incoerência. Corrupção e pouca estima pelo Social. Mas com uma política econômica digna de um país sério e comprometido com o futuro.
Pois bem: 2005 provou, mais uma vez, algo que tentamos contrapor no nosso dia a dia, mas que, a cada momento, se mostra tão coerente: “que tudo, absolutamente tudo, é sempre muito incoerente e contraditório”. Como dizia sempre um dos ícones do jornalismo econômico: “Essa é para pensar na cama”. Mas eu continuo acreditando no Brasil!
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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