Copom tem que dizer “não” ao populismo
Se o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) fizer um corte de juros acima de 0,5% na reunião desta semana, poderá representar o início de uma tendência perigosa de populismo por parte do Governo, visando à reeleição do próximo ano. Já teve muito disse-me-disse, devido ao fraco desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do 3º trimestre deste ano. Mas, como afirmou o Ministro da Fazenda, Antônio Palocci, esse foi um trimestre atípico. E eu concordo com ele em gênero, número e grau.
Por isso, o Copom não pode tomar uma decisão baseada no desespero e, muito menos, por objetivos eleitorais. Tecnicamente, está evidente que a decisão de baixar em 0,5% a taxa Selic nesta reunião é a atitude mais correta e prudente. A economia brasileira deu saltos gigantescos em 2005. Estamos terminando o ano com mais um recorde na balança comercial, com nova diminuição da relação dívida interna/PIB e com o Risco Brasil a 300 pontos. Tudo está preparado para que os frutos sejam colhidos muito brevemente. Nada pode pôr em risco a estabilidade. A inflação precisa ser combatida sempre e sem trégua por toda a sociedade. O controle da inflação é a certeza de que a renda dos brasileiros não será devorada a cada mês. Tenho certeza que o Banco Central está atento a tudo isso. A inflação vai fechar o ano pouco acima da meta de 5,1% e todas as projeções para 2006 estão no centro da meta de 4,5%. Não é hora de brincar. O ano eleitoral de 2006 terá que ser tratado com todo cuidado pelos governantes do País. Será preciso reiterar, mais vezes, que a política econômica é essa que está aí e que não vai mudar.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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