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Comentarista: Marilice Costi
Quem sabe começamos por nós?

“Pensar nas palavras ditas para pensar
as pessoas que as proferem...
e aquelas a quem respeitam”

Paulo Machado


A lama que, todo os dias em vários meses, vem sendo jogada pela televisão e pelas letras repetidas nos jornais, só faz aumentar a nossa descrença nos homens e num mundo melhor. Mesmo que muitos digam que estamos purgando anos de história corrupta e de forma visceral – o que pode significar um tratamento radical e eficaz - não se justifica o sofrimento que o País (leia-se gente) passa. Nada justifica. Matar a utopia de um povo é tapar o final do túnel, apagar a luz. E isto é um dos crimes mais sórdidos ao meu ver.

Tenho lido textos de autores renomados como Arnaldo Jabor ou João Ubaldo Ribeiro, circulando na Internet. Eles mexem com a gente, tentam estimular a nossa auto-estima e a nossa responsabilidade frente aos acontecimentos. Uma forma de mostrar que temos a obrigação de virar a página e virar de forma adequada, abrindo novas saídas para o túnel e removendo o que é espúrio. Mesmo assim, muito me entristecem.

Mas um ato simples e delicado de uma pessoa num clube desportivo de Porto Alegre fez com que me sentisse melhor. Ambas saímos da aula de ginástica – Pilates é um tipo de exercício que mexe muito com o corpo e, conseqüentemente, movimenta os líquidos - e nos dirigimos ao sanitário. Quando chegamos, percebi que a colega nova - eu não a tinha encontrado anteriormente - estava na minha frente, portanto, certamente, a vez era dela: aliviar-se antes de mim. Ela me perguntou: “Você está em que condições? Tem pressa?" Respondi-lhe que mais ou menos. Ela disse: “eu estou na mesma. Vá primeiro”. E eu argüi: “Você chegou antes, eu aguardo”. Mas ela insistiu: “Que idade você tem?” – e eu, sem me dar conta, lasquei a minha. Ela, a recém-conhecida, categoricamente, ordenou: “Você vai primeiro. Tem mais idade que eu”. E ainda observou que o papel higiênico estava no fim, foi buscá-lo e me alcançou. Sem argumento e mediante o seu critério, sucumbi dando-me conta que eu estava sendo respeitada pela idade que eu tinha, apenas quatro anos mais que ela.

A caminho de casa, depois de um dia turbulento, cheio de problemas a resolver, como tem sido o dia-a-dia das famílias brasileiras, pensei: uma coisa tão singela me deu tanto bem-estar. Conheci uma pessoa respeitosa, ao redor dela existem outras tantas que também devem respeitar as pessoas da mesma forma. Ainda existem critérios de valor na sociedade. Sorri sozinha.

A complexidade do século XXI perpetua a fragmentação e degradação do século XX, destruindo os valores humanos... nossa sociedade tão carente de valores e critérios. Qual vivenciei naquele final de tarde? O respeito à idade e à experiência dos outros. O respeito aos mais velhos. Um simples critério que não só parece ser simples; e simples, assim como são poucos e básicos os Dez Mandamentos.

Vale lembrar que ouvi dizer que os tais mandamentos, se fossem escritos hoje, teriam um mais: “Não consumirás sem critérios”; tudo que freqüentemente não fazemos, porque não suportamos a avalanche de estímulos ao consumo jogados nas nossas retinas, mobilizando nosso sistema nervoso... Respeito aos outros - como foi o caso da minha colega desconhecida, e por nós mesmas - como é o caso de não sucumbirmos à mídia - não são tão complicados.

A nossa capacidade de discernimento precisa ser resgatada, a crítica e a autocrítica devem ser exercitadas desde sempre. Mas mais que isto, é preciso olhar o próximo como a nós mesmos. Mas isto pode doer muito. Daí que nos entupimos de presentes, mesmo que nem precisemos deles.

Vale lembrar o direito do consumidor não só como algo que deve ser relacionado à aquisição de bens e serviços, que devem ser bem feitos e pagos devidamente, mas como algo que vem de nós, de nossa ética, da nossa capacidade de discernir, de respeitar os outros. A pessoa que me cedeu lugar talvez nem saiba o quanto me fez bem sentir que envelhecendo ainda sou alguém. Foi o que pensei enquanto aguardava o semáforo abrir ao voltar para casa. Sempre poderemos fazer alguma coisa para possibilitar que o outro se sinta melhor. Mesmo que isto seja simplesmente ceder lugar num banco de ônibus ou na fila de um sanitário. É simples. Começar por nós mesmos. O que pode ser o início de uma mudança de hábito, o início do resgate de valores, o início do clima natalino, que tal?

Revisão e edição: Renata Appel


Escritora, Arteterapeuta, Mestre em Arquitetura, Consultora. Site: www.sanaarquitetura.arq.br  
e-mail do autor: marilice.costi@sanaarquitetura.arq.br
 
 

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