É hora de limpar o nome na praça
As financeiras acabam de lançar campanhas para a recuperação de crédito dos clientes com dívidas em atraso. O momento é muito oportuno graças, ao pagamento do 13º salário. As campanhas atendem a todos os tipos de clientes, que têm a chance de limpar o nome a tempo de fazer as compras de Natal. É hora de livrar-se dessa preocupação.
Desde o barbeiro e a manicure até as grandes lojas de departamento, passando também pelas instituições financeiras, todos estão sempre dispostos a renegociar as dívidas de seus clientes, inclusive porque estes estarão aptos a consumir novamente, o que é salutar para toda a sociedade.
E as financeiras, que são as instituições mais democráticas do mercado, por facilitarem o acesso ao crédito de praticamente toda a população, não poderiam ficar atrás.
Dependendo da instituição, a negociação pode levar até a uma redução de 100% dos juros e multas e ainda com parcelamento de 12 meses. Ou seja, o cliente paga apenas o que se chama de principal da dívida e com um prazo bem conveniente. Estas facilidades vêm em boa hora: atualmente, 12% dos financiamentos estão em atraso no setor.
O histórico financeiro do brasileiro mostra sua preocupação em manter o nome “limpo” nas instituições de proteção ao crédito, reafirmando ser ele um bom pagador. Por vezes, não efetua o pagamento de suas dívidas motivado por situações que independem de sua vontade, como, por exemplo, a perda do emprego e problemas de saúde.
O que as financeiras querem é resolver o problema do cliente. O que não se pode é criar um novo problema a partir da renegociação. É preciso fazer um acordo com a instituição de modo que realmente seja possível honrá-lo. Logo após a negociação, mesmo que de forma parcelada, o nome do cliente sai imediatamente do cadastro negativo do Serviço de Proteção ao Crédito, o famoso SPC. Esse é um compromisso das financeiras!
Não é bom para ninguém, leitor, estar inadimplente. A financeira perde um cliente em potencial e o cliente perde a liberdade de fazer compras por estar com o nome “sujo”, como diz o jargão popular.
Eu não vou me colocar contra alguém que queira fazer uma viagem ou comprar uma roupa que estava, há tempos, namorando na vitrine. No entanto, nada nesse mundo paga a felicidade de podermos dormir tranquilamente, sem nos atormentarmos com dívidas. É como diz o ditado: não empurre dívidas com a barriga. E eu não defendo sozinho essa posição. Dez entre dez analistas econômicos dizem a mesma coisa.
O ideal do nosso setor é passar a financiar os sonhos das pessoas e não agirmos somente como bombeiros que apagam incêndios momentâneos. Será muito mais prazeroso, para ambas as partes estarmos juntos num momento de alegria. Estaremos aquecendo a economia e gerando empregos diretos e indiretos, promovendo o tão esperado desenvolvimento sustentado. O crédito desenvolve o País. Você, junto conosco, é a grande mola propulsora desse progresso.
E depois que as dívidas forem quitadas, vai aí um conselho de amigo: programe-se melhor. Para isso, basta guardar um pequeno capital para emergências. Recorra às financeiras sim, mas para realizar um sonho. Pegar um empréstimo precisa ser um motivo de alegria. Para a aquisição de um bem, por exemplo, ou para fazer aquela viagem que há tanto tempo é esperada.
Com a campanha de recuperação de crédito, as festas de final de ano poderão não ser as mais fartas, mas pelo menos serão mais tranquilas. E nada como começar um novo ano com um novo presidente, com as esperanças renovadas e com o nome limpo na praça.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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