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Comentarista: José Arthur Assunção
Copom transmite confiança

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) iniciou um novo ciclo de redução dos juros, que pareceu não tão contundente no mês de setembro, mas que ganhou forte impulso em outubro, quando a queda foi da ordem de 0,5%. A análise geral é de que a queda acumulada em setembro e em outubro em quase nada muda objetivamente, já que somos os campeões mundiais de juros reais e continuaremos sendo ainda por muito tempo. Isso é verdade. É impossível negar.

Entretanto, uma análise um pouco mais aprofundada nos leva a refletir que o mais importante das intervenções mensais do Copom não é exatamente o que ele faz, mas a leitura do que ele pretende fazer daquele ponto em diante. É a projeção dos agentes econômicos que vai ditar os rumos da economia a partir de então.

Visto por esse ângulo, se a queda de meio ponto não mudou em quase nada a contabilidade das instituições, muda, e muito, as projeções do mercado para a inflação e para o crescimento da economia brasileira. Como todo Banco Central do mundo, o Banco Central brasileiro é extremamente conservador. Precisa ser assim, porque a sua missão é a de defender a moeda. Então, se o BC baixou os juros por 2 meses consecutivos e a queda no 2º mês foi maior que a do 1º, isso mostra um novo ritmo, um novo ciclo. Nesse caso, um ciclo mais forte de baixa dos juros. E se o BC decidiu baixar os juros é porque considera que, pelo menos no momento, não existem pressões inflacionárias. Sendo assim, o que o mercado já havia projetado passa, enfim, a virar realidade. A inflação realmente está em queda e com tendência de baixa ainda mais significativa. Foi ratificado pelo Copom nessas últimas reuniões que a inflação está sob controle.

Se a inflação está sob controle com a assinatura do Banco Central, que autentica e reconhece firma, abre-se um horizonte bem mais promissor para o crescimento econômico, que apesar de não ter parado nos últimos meses, pode ser bem mais pujante. Quem sabe cresceremos a taxas de 6% a 7% ao ano? Parece um sonho, mas não vejo dessa maneira. O Brasil conseguiu manter um nível bastante razoável de crescimento nesses 2 últimos anos, de 3% a 4%, apesar de uma valorização excessiva da nossa moeda diante do dólar, de uma taxa de juros real campeoníssima mundial.

O Brasil fez um forte ajuste nas contas externas. O pagamento da dívida externa em 2006 será muito menor e bem mais facilitado, além de a dívida interna vir, aos poucos, decrescendo fortemente em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Com a queda dos juros, cria-se um cenário propício ao investimento. Com a queda dos juros, a moeda brasileira deve se desvalorizar em relação ao dólar, corrigindo a distorção momentânea. Com um câmbio mais atraente, nossas exportações poderão ser ainda mais alavancadas. Mais investimentos no mercado interno juntamente com exportações alavancadas só poderão resultar em mais crescimento econômico, a não ser que fatores externos nos prejudiquem no próximo ano ou então a sucessão presidencial. Tudo isso me leva a crer que, se o Brasil cresce agora a taxas de 3% a 4%, tem tudo sim para crescer muito mais num futuro bem próximo.

Voltando ao Copom, creio que o corte de 0,5% seja repetido, pelo menos, nas 2 próximas reuniões. Não existe pressão inflacionária. A elevação do preço do barril do petróleo no mercado internacional já está no preço, como se diz. A inflação deste ano deve ficar mesmo dentro da meta ajustada de 5,1%. E a inflação do ano que vem será ainda menor, já que a correção dos preços administrados será a menor dos últimos anos. Por isso, aposto que a taxa Selic feche o ano a 18% e caia ainda mais no início de 2006.

No entanto, ainda não vai ser dessa vez que os juros para o consumidor apresentarão queda significativa. Infelizmente, essa taxa não é formada apenas pela Selic. Um conjunto de fatores pesa sobre sua formação, sendo que a maior delas é a inadimplência, que ainda é muito alta no País. Mas, com o decorrer dos meses, a queda da taxa Selic provocará conseqüências importantes, que atuarão sobre os fatores que pesam na formação da taxa ao consumidor. E aí, enfim, todos ganharão.

Revisão e edição: Renata Appel


Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira  
e-mail do autor: jala@asb.com.br
 
 

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