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Comentarista: José Arthur Assunção
Tempo de crescer

Peço licença à Associação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) para pegar emprestado o tema de seu último congresso e titular esse meu artigo.

O tempo é realmente propício para crescer. O Brasil já cresce há 8 trimestres consecutivos. Mas precisa crescer mais. Bem mais!

Se o Brasil cresce praticando a taxa de juros real mais alta do mundo, muito mais alta que a 2ª maior taxa real do planeta e léguas à frente dos juros americanos e europeus; se o Brasil cresce mesmo sob o fogo cerrado da forte crise política dos últimos meses; se o Brasil cresce apesar de avançar a passos de tartaruga nas reformas microeconômicas; se o Brasil cresce baseado em uma infra-estrutura ainda bastante arcaica – quanto vai crescer o Brasil agora que os juros iniciaram um novo processo de queda, que, para muitos, pode ser até de queda-livre, visto que a inflação está sob controle e em nível baixíssimo? Quanto vai crescer o Brasil com o arrefecimento da crise política?

Tudo bem que o mesmo otimismo eu não posso ter em relação às reformas microeconômicas e estruturais. Parece-me que somente em um novo governo, a partir de 2007, sendo Lula reeleito ou não, é que essas reformas voltarão a sair do papel. Mesmo assim, ainda muito titubeantes, já caminhamos nessas reformas. A principal conquista nesse campo foi, sem dúvida, a aprovação da nova lei de falências.

Nos últimos 2 anos, o Brasil cresce a uma taxa média de 3,5%, mas, como já enfatizei, precisa crescer mais, muito mais, para criar um ambiente apropriado para novos investimentos. E precisa crescer ainda mais para dar trabalho a milhões de brasileiros desempregados e tirar outros milhões da informalidade. O desenvolvimento sustentável de um país está diretamente ligado ao setor de crédito. No Brasil, apesar de ainda representar apenas 28% do Produto Interno Bruto, o volume de crédito vem dando importantes saltos nos últimos anos.

O crédito nunca cresceu tanto no Brasil. De todos os indicadores tão alentadores que a nossa economia vem produzindo nos últimos tempos, talvez esse seja o mais importante. O potencial do setor é exuberante, basta-nos atentar para a evolução do crédito consignado. Da alavancagem do crédito depende o crescimento da economia brasileira. A expansão do crédito impulsiona a renda e o emprego. O setor de crédito foi e continua sendo indispensável para o desenvolvimento do país. A indústria automobilística é o maior exemplo. O que seria dela nos anos 60 se não fosse o crédito? E hoje em dia não é diferente. É possível comprar um automóvel sem um centavo de entrada com parcelamentos que podem chegar a 60 prestações mensais. São 5 anos!

Com o tema Tempo de Crescer, esse mesmo que eu “roubei” para titular o artigo, o congresso da Acrefi não ficou apenas na comemoração do que vem sendo chamada de a explosão do crédito no Brasil. Muito pelo contrário. A entidade discutiu, durante 3 dias inteiros, os rumos do crédito e da economia do país. Foram traçados objetivos concretos para o contínuo desenvolvimento do setor.

As palestras a que assisti no congresso, umas bastante otimistas, outras nem tanto, me fizeram ter ainda mais certeza que, apesar dos pesares, esse país vai muito longe. Mesmo os palestrantes mais críticos à estrutura político-econômica do país se mostraram confiantes em mudanças.

Estou certo de que o Brasil não é mais o país do futuro. O presente já é uma realidade.

Revisão e edição: Renata Appel


Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira  
e-mail do autor: jala@asb.com.br
 
 

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