Queda dos juros adiada
Ainda não vai ser neste mês de agosto que a taxa básica de juros da economia começará o tão sonhado ciclo de queda. A principal causa, sem dúvida, é a elevação do preço do barril do petróleo no mercado internacional, que parece definitivamente ter encontrado um novo patamar. A conseqüência será o aumento do preço dos combustíveis e seus derivados no mercado interno, o que pressionará os índices de inflação novamente. E como o Banco Central vem perseguindo com determinação a meta de 5,1%, estipulada para este ano, passa a não existir margem para a queda dos juros agora nesta reunião do Copom.
Não bastasse a questão do petróleo, a crise política vem alcançando contornos inimagináveis. Ninguém, em sã consciência, arriscaria hoje um palpite sobre o desfecho desse triste momento da história brasileira.
Venho defendendo a tese de que a crise política não irá afetar a economia e a reitero de modo enfático. Mas o conservadorismo do Copom o obriga a manter muita cautela numa hora como essa. Não seria de bom tom, por exemplo, que se decidisse por uma queda dos juros agora e, no próximo mês, o Comitê fosse obrigado a voltar atrás e aumentá-los novamente.
Acredito que o BC vá fazer de tudo para alcançar a meta de inflação de 5,1%. Por mais que os últimos índices de inflação tenham vindo muito baixos, o novo patamar de preço do barril do petróleo é muito preocupante e a crise política acirra os ânimos, deixando perplexos todos os setores da sociedade.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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