Copom pode surpreender
A reunião deste mês de julho do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) já exerce um clima de forte expectativa nos agentes econômicos. Por um lado, a ata divulgada no fim do mês passado dizia que os juros seriam mantidos por um longo período de tempo. Mas, de lá para cá, todos os índices de inflação, no atacado e no varejo, apresentaram quedas substanciais. E já que no Brasil os juros são altos para conter a inflação, é difícil prever os próximos movimentos do Copom.
As últimas projeções de 100 instituições financeiras são de que o IPCA fique apenas 0,6% acima do centro da meta ajustada desse ano, que é de 5,1%. É importante ressaltarmos que cerca de um mês atrás o temor era de que a inflação de 2005 estourasse o limite da meta, passando dos 7%.
Sendo assim, muda tudo. Vejo dois cenários para o Copom nessa reunião: o primeiro, mais provável, em que optaria pela manutenção da taxa Selic em 19,75% por, pelo menos, mais um mês. Seria mais munição contra a inflação, mirando definitivamente no centro da meta. Um segundo cenário seria a queda dos juros já este mês. Essa possibilidade vem ganhando força nas apostas do mercado. Com a antecipação do início do novo ciclo de queda gradual dos juros, o setor produtivo teria uma chance de ouro para alavancar fortemente a economia nesse 2º semestre. E para o Governo do Presidente Lula, que carece de boas notícias no momento, não deixaria de ser um excelente refresco.
Vejo somente um problema nessa possível antecipação no início do ciclo de queda dos juros. Poderia haver uma leitura equivocada por parte dos agentes econômicos de que a crise política passaria a influenciar diretamente nas decisões de política monetária, ou mesmo, até que já existiria um dedo do novo Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, ex-Presidente da CUT.
De todo modo, existem motivos suficientes para o Copom optar tanto pela manutenção dos juros quanto pela queda da taxa já nessa reunião. Particularmente, acredito que seja mantida em 19,75% agora em julho, por 3 motivos: a crise política, a nova elevação do preço do petróleo e, principalmente, para levar a inflação ainda mais perto do centro da meta. O processo de queda dar-se-ía a partir de agosto.
Mas, começando agora ou em agosto, o importante é que o cenário já é outro. Os ajustes feitos pelo Copom, desde setembro de 2004, surtiram o efeito desejado. Derrubaram a inflação.
Muito criticada nesses dois anos e meio, a política monetária adotada pelo Banco Central vem alcançando resultados muito satisfatórios. Mesmo num momento de forte arrocho, o País não parou de crescer.
Pelas previsões do mercado, a taxa Selic fechará o ano por volta dos 18% ou até em nível menor que esse, dependendo dos próximos índices de inflação e das expectativas para 2006. Com isso, o crescimento da economia esse ano poderá não ser tão forte quanto foi em 2004, mas também não será fraco como se supunha.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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