Quase Irmãos, o filme
texto publicado na íntegra (original), a pedido da autora
O filme Quase irmãos faz pensar. Mexe com a história. História do hoje, do ontem, do anteontem. Nossa história. Desenvolvido em três tempos da vida brasileira. é impossível não se reconhecer em algum deles. O Brasil da fantasia, o Brasil da repressão, o Brasil da violência. De forma pungente, traz a realidade do morro e a impotência da esquerda, o fim das utopias e a perda de rumo. A utopia “que já faz uns trinta anos e foi frágil vidraça” é escancarada, quem a vê no decorrer da história é porque sentiu e se identificou com ela em algum momento.
Entre o ser e o que realmente se é está o conflito, tensão que vai correndo entre as cenas, quadro após quadro, como um conto, em filigranas.
Agora, somos reféns de um mundo de poderosos, formigas a trabalhar, a trabalhar, a trabalhar, para consumir nas catedrais do consumo, únicos locais onde as pessoas se sentem um tanto mais seguras. Pessimista eu? Saramago já escreveu isto no romance A caverna...
Ora, ainda temos que passar a esperança para os que nos cercam, porque é preciso acreditar para seguir. E não é sem motivo, que recebemos diariamente lições de fé pela internet, com imagens belíssimas, que parecem nos dar luz no final do túnel. Afinal, nem tudo está perdido. Ainda existe solidariedade, amor, amizade, carinho, afetividade, paz correndo pelo mundo.
O filme de Lucia Murat, que traz a relação de dois amigos - um branco e um negro - é a crua realidade das condições sociais e a discriminação das raças. Relata com detalhes de grande sensibilidade e afeto, a luta pela sobrevivência em cárcere e fora dele, e como a utopia fez caminhar uma geração.
A fé move montanhas, já disse um profeta. É verdade. Ela vem movendo morros e favelas. O que diriam Aldous Huxley e Julio Verne? Como teria sido a luta política, dita subversiva, com a informática de hoje? Quem se habilita a dizer? Hoje a imagem pode ser uma fraude. Muitas vezes é.
Quase irmãos é um filme que sacode, que demonstra que no dia-a-dia, somos todos quase meio irmãos?
Revisão e edição: Renata Appel
Escritora, Arteterapeuta, Mestre em Arquitetura, Consultora.
Site: www.sanaarquitetura.arq.br
e-mail do autor:
marilice.costi@sanaarquitetura.arq.br
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