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Comentarista: José Arthur Assunção
Selic vai a 19% e estaciona

Os juros básicos da economia sofrerão o último aumento do atual ciclo de ajustes na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). A elevação não deverá passar dos 0,25%. A taxa Selic chegará enfim aos 19% ao ano e ficará estacionada de 4 a 6 meses, dependendo da evolução das expectativas de inflação para o ano.

O Copom vem agindo com correção e independência, o que gera forte credibilidade à economia brasileira. A política econômica é austera, porque precisa ser. Os juros são altíssimos, porque precisam ser. Se o Banco Central afrouxasse a política como tanta gente defende, perderia a credibilidade.

A conquista de um crescimento um pouquinho maior este ano poderia representar mais inflação no futuro. Representaria perda para os trabalhadores.

O ciclo de ajustes na taxa Selic termina na semana que vem, porque não vejo mais motivos para o Copom prosseguir com novas elevações de taxa a partir de abril. Acredito que a taxa permanecerá em 19% até a reunião de setembro, quando, já tomando por base a inflação de 2006, deverá começar a baixá-la de forma gradativa.

Muita gente me pergunta por que sou tão contundente ao defender a política de juros altos do Banco Central. A resposta é simples: não existe outra política a ser executada.

Se o BC quiser, poderá baixar os juros para 18%, 15%, 10% ou mesmo igualá-la à dos Estados Unidos. Para tanto, basta uma canetada. A mesma canetada, no entanto, que decretará a fuga de capitais do País. A mesma canetada que dará uma injeção na inflação. Ou seja, uma canetada que parece até ser boa. Que, no início, até alavancará ainda mais o crescimento da economia, mas que, como já vimos em vários outros “carnavais econômicos de nossa história recente” gerou vôos altos do nosso Produto Interno Bruto, mas acompanhados, infelizmente, de períodos recessivos. No cômputo geral, o crescimento da economia nas últimas décadas foi fraquíssimo.

Muitas reformas precisam ser executadas nesse país para termos juros reais mais próximos aos do Primeiro Mundo. Existem estruturas que oneram muito mais a atividade produtiva do que a elevação da taxa Selic. Os juros básicos altos apenas refletem esse conjunto de fatores perversos que nos fazem tão mal. E, já que persistem, é bom que o Banco Central não se renda a mágicas. É bom que preserve a credibilidade duramente conquistada pelo nosso país, que vem fazendo parte do dever de casa até muito bem. Basta olharmos para os superávits conquistados desde 1999.

Muito já foi feito, mas muito ainda há que se fazer para que a economia brasileira dê um verdadeiro salto para o futuro, tornado-se madura e moderna.

Revisão e edição: Renata Appel


Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira  
e-mail do autor: jala@asb.com.br
 
 

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