Juros não ultrapassarão 19%
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) está prestes a realizar a 6ª alta consecutiva nos juros básicos da economia. Pelas apostas do mercado, a taxa Selic irá de 18,25% para 18,75%, com elevação de 0,5%. Eu creio até que o BC possa, já na reunião desta semana, optar por uma elevação de 0,75, chegando aos 19%.
De qualquer modo, mesmo que não bata os 19% agora, chegará certamente na reunião do mês de março. Mas desse patamar não deverá passar. Até porque os juros reais da economia brasileira (juros nominais descontando-se a inflação) voltaram a ser os mais altos do mundo. E nada indica que uma dose ainda mais cavalar, a essa altura, trará algum benefício na luta travada contra a inflação.
Ao chegar a 19% ao mês, a taxa Selic será mantida nesse nível até agosto pelo menos para, aí então, começar uma trajetória de declínio. No governo do Presidente Lula, a taxa Selic teve como patamar mais baixo 16% ao mês e, mais alto, 26,5%.
A política monetária ditada pelo Banco Central brasileiro tem sido a possível. Seria impossível controlar a inflação sem um sistema de metas como o que é praticado no momento. A discussão se a meta é ou não alta demais não creio que seja pertinente. O Brasil teve uma inflação superior a 7,4% em 2004, a 2ª maior da América Latina.
A expectativa de inflação se estabilizou em 5,7% graças aos seguidos ajustes na Selic promovidos pelo BC. Com a taxa a 19%, mantida por pelo menos 6 meses, a tendência é que a expectativa de inflação decline já nas próximas semanas e chegue bem próximo à meta de 5,1%.
A taxa de juros brasileira é alta e permanecerá alta enquanto alguns problemas não forem efetivamente resolvidos como, por exemplo, a questão da autonomia do Banco Central. Mas muitos progressos já aconteceram certamente, dentre eles a nova lei de falências e o cadastro positivo de crédito.
Até que os próximos passos sejam dados, o Banco Central precisa estar devidamente atento e promover ajustes sempre que julgar necessário.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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