O Brasil ressurge, mas tem que se firmar
Se nos pedirem uma avaliação do governo do Presidente Lula nesses dois primeiros anos, com certeza iremos falar de alguns pontos nevrálgicos, que precisam ser atacados rapidamente. Coisas que certamente entravam o desenvolvimento do País.
E, se é para citar alguns desses pontos, vamos lá: problemas gravíssimos de infra-estrutura, uma carga tributária das mais altas do mundo sem contrapartida para a sociedade e juros proibitivos ao investimento produtivo.
Eu sei que cada um dos amigos leitores pensou em vários outros problemas, não é mesmo? É! São muitos e persistem entra governo, sai governo. Mas é bom lembrarmos das previsões catastróficas de dois anos atrás e nos atermos àquilo que de fato ocorreu no País desde então.
Um partido de esquerda subiu ao poder e o Brasil sobreviveu, e bem, diga-se de passagem. Seria chover no molhado lembrar de todos os triunfos do Governo, principalmente na área econômica.
Pode ser meio difícil aceitar que um governo do qual praticamente todos desconfiavam pôde restaurar a confiança no País. Confiança esta abalada pelo próprio passado radical do Partido dos Trabalhadores, que teve que provar do seu próprio veneno ao chegar ao poder.
Mas o amadurecimento forçado a que Lula e o seu PT foram submetidos demonstra o real empenho do Presidente em atingir os objetivos propostos por ele próprio desde que apareceu no cenário político brasileiro no início da década de 80. Mal sabia Lula que seria obrigado a rever a maioria dos seus conceitos para conseguir governar este país.
Hoje, as bases da sociedade brasileira são ainda mais sólidas. No entanto, queremos mais. Queremos sempre mais. E é correto. O ser humano anseia pelo progresso. Afinal, muito há que ser feito. Milhões de brasileiros ainda estão desempregados e outros tantos passam fome!
Se foi o próprio Presidente Lula quem disse que só estaria satisfeito quando todos os brasileiros fizessem, pelo menos, 3 refeições diárias, quem sou eu para comemorar alguma coisa? Precisamos dar realmente muitos passos à frente.
Um desses passos precisa ser dado pelo setor que eu represento, o de crédito, que precisa voltar a ser referência: uma ferramenta fundamental na construção diária do crescimento sustentável. Sempre participamos ativamente do desenvolvimento do Brasil. O que seria da indústria automobilística, por exemplo, e de tantos outros segmentos sem as financeiras?
Mas, atualmente, as financeiras não gozam de grande reputação. Pelo contrário. Os jornais estampam manchetes que alardeiam os juros cobrados nas operações de crédito, como se, ao invés de instituições provedoras do desenvolvimento, fôssemos meros agiotas legalizados.
Cabe a nós mudarmos esse quadro. Sabemos dos componentes pesados que incidem nos custos dos empréstimos. Desde a estabilização da economia com o Plano Real, a carga fiscal que incide sobre as operações de crédito ficou bem mais perceptível e nem sempre ou quase nunca fomos convincentes ao explicá-la ao público.
O volume de crédito no Brasil é de apenas 25% do Produto Interno Bruto, percentual muito inferior ao da maioria dos países de Primeiro Mundo. É preciso alargar, e muito, a concessão de crédito no nosso país.
Por isso, sem a participação das financeiras, o Brasil não irá avante. O desenvolvimento não se sustentará por muito tempo.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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