O Fumo
Nunca fumei, sou até antitabagista. Mas não consigo entender como se fala tanto em convenção-quadro para o controle do plantio do tabaco no Brasil, enquanto 35% dos cigarros aqui consumidos vêm do Paraguai, do Uruguai e da China.
O cigarro legal, que tem licença de venda no País, passa por um rigoroso controle fitossanitário e tem que ter o aval da ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Mas a Anvisa diz que o cigarro contrabandeado é um problema da Receita Federal. Disse-me o mesmo o Presidente do Instituto do Câncer. Não, nada disso: tanto a Receita quanto a Anvisa têm a obrigação legal, moral e ética de fiscalizar e coibir a venda de cigarro ilegal, sem controle da saúde pública. Cabe a eles fazer parcerias com outros órgãos. Deveriam agir como age o delegado da Polícia Federal, Lacerda, que já deu demonstrações de como se age contra pirateiro.
Estive em Santa Cruz do Sul na Audiência Pública do Senado da República, como estive com os Senadores Paim, Suplicy e membros do Governo Lula, a quem alertei sobre essa profunda contradição.
As grandes empresas poderão redirecionar suas atividades, sem dúvida. Já possuem outras atividades. Logo, seria fácil culpar as empresas. Mas a culpa está no ser humano, que sabe, até pela publicidade que se faz contra o uso do fumo, que o cigarro faz mal. A bebida em excesso também faz mal. É só ver o número de acidentes com mortes e mutilações todos os finais de semana, nos feriadões, no veraneio.
É claro que nesse episódio de convenção-quadro, audiência pública, alguns políticos foram para além da cretinice parlamentar, fizeram tempestade em copo de água para desgastar o Governo Federal. Eles sabem que ninguém vai parar de plantar fumo amanhã. Semearam mais confusão na lavoura.
Nossas metas e objetivos devem ser a luta sem trincheiras contra a pirataria, o contrabando, a falsificação. Tolerância zero com as ilegalidades. O resto é pirotecnia. Temos que encarar a realidade como ela é: um país invadido pelas quinquilharias da China, com pilhas infectadas de mercúrio e cigarros com pêlo de rato. Tudo isso e o silêncio sepulcral.
Revisão e edição: Renata Appel
Professor e Vereador em Porto Alegre.
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