Dezoito por cento até junho de 2005
Pode parecer um contrasenso, mas o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deverá aproveitar o bom momento da economia para elevar os juros básicos em mais 0,75%. A taxa Selic passaria então dos atuais 17,25% para 18% ao ano.
A elevação poderá acontecer de uma só vez agora na reunião de dezembro ou dividida em duas etapas: dezembro e janeiro. Não creio que o BC promova, de uma só vez, o aumento. Apostaria em 17,75% ao ano agora e, finalmente, 18% em janeiro.
Os juros ficariam estacionados em 18% ao ano até meados de 2005 para, aí então, começarem a baixar, já com as projeções de inflação para 2006.
Apesar de o preço do barril de petróleo já ter recuado bastante no mercado internacional, o que poderia reduzir expectativas futuras de aumento de preços, o núcleo da inflação ainda está alto.
Diante de um cenário como esse, é necessário um contínuo ajuste dos juros até que se chegue a uma taxa de equilíbrio, que, ao meu ver, será de 18%.
Com esse patamar de taxa, haverá maior conforto para o BC trabalhar em 2005, acalmando os agentes financeiros. E quando a autoridade monetária perceber que o núcleo da inflação recuou de forma convincente, será a hora de voltar a derrubar a Selic. Creio que isso acontecerá lá para junho de 2005.
Já foram tentados, no passado, planos de todos os tipos. O único que obteve sucesso foi o Plano Real, que se mantém há mais de 10 anos. Mas já foram necessários vários ajustes desde então para que a economia chegasse ao ponto que está hoje. O Brasil já não é tão dependente de capital externo quanto anos atrás, estando bem menos vulnerável a crises externas.
A política econômica do governo Lula é semelhante à do governo anterior. No entanto, precisou ser ainda mais austera para controlar a inflação e conjuntamente promover o maior crescimento econômico desde 1995. Não restam dúvidas de que este é o caminho certo. Resta-nos crescer.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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