Efeito estufa
Variação hormonal: o inchaço é um fator comum na tensão pré-menstrual. Nessa fase, o aumento do nível de estrógeno no sangue provoca reações no organismo como um todo, influindo, inclusive, no funcionamento dos rins, que então filtram e eliminam menos líquido. Isso explica por que a um ou dois dias da menstruação muitas mulheres sentem o corpo inchado ou, o que é mais comum, as mamas muito sensíveis. Passados os dois primeiros dias do sangramento, esse acúmulo de líquidos recua e o corpo retoma a sua normalidade. Beba muita água. Os rins funcionam melhor, o que é um incentivo para eliminar o excesso de líquidos. Também vale comer alimentos ricos em água, como melancia, melão, pêra, alface, agrião, morango ou chuchu. Evite café, chá, refrigerantes e chocolate. Eles causam irritabilidade (têm xantina e metilxantina), o que faz o inchaço incomodar mais. Diminua a quantidade de sal da comida. Pratique exercícios. Eles aumentam a circulação linfática, que elimina o excesso de líquidos do organismo.
Varizes: Quem passa muito tempo em pé normalmente termina o dia com as pernas inchadas, um problema que pode vir acompanhado pela sensação de peso e formigamento. Aqui a causa – genética – é a mesma das varizes. Existe um mecanismo de válvulas que precisa funcionar direito para que o sangue não fique parado nas veias das pernas – quando ocorre essa estagnação do fluxo, aumenta a pressão dentro do vaso sangüíneo e as pernas incham. As válvulas não têm conserto, mas o problema pode ser amenizado com simples mudanças de hábitos: caminhada e ginástica, por exemplo, ajudam a fortalecer a musculatura das pernas e essa massa muscular detém a dilatação das veias, além de impulsionar o sangue para cima. Pela mesma razão, é bom evitar o salto alto: quanto mais longe do chão, menos o pé exercita a musculatura. Outra alternativa é a meia elástica, que desempenha o mesmo papel da musculatura, pressionando as veias. Colocar as pernas para cima também alivia a sensação de peso: aqui, é a lei da gravidade que dá uma mãozinha ao fluxo do sangue. Uma dica conhecida, mas que não custa repetir: beba muita água, sempre!
Viagem de avião: A falta de movimento e o efeito da gravidade ajudam a entender por que é tão difícil calçar o sapato depois de passar várias horas sentada dentro do avião. Com dificuldade de seguir seu fluxo, o sangue estaciona nas veias dos pés e das pernas e o excesso de líquido que se acumula entre os tecidos provoca inchaço. Não se sabe por que algumas pessoas têm propensão a esse inchaço e outras não. Mas a situação sempre tende a se normalizar algumas horas depois do desembarque. a baixa pressão atmosférica na aeronave faz o corpo "dilatar". E tudo o que você vestir vai parecer um número menor. Assim, as mulheres estão proibidas de usar sutiã e jeans apertados ou sapatos de saltos estratosféricos. O mesmo vale para calças, camisas e paletós usados pelos homens (Gravata? Nem pensar!). Prefira roupas de fibras naturais (algodão) ou que tenham stretch na composição - elas esticam e não amassam. Cores escuras também disfarçam o visual amarfanhado de quem passou horas na poltrona de classe econômica. Outra dica é carregar um blazer: Você tira ou coloca essa peça segundo a variação da temperatura dentro (e fora) do avião.
Alergia: Maquiagem, cremes ou mesmo um sabonete diferente podem desencadear um processo alérgico com um inchaço repentino, especialmente no rosto, onde a pele é bastante sensível. Em outras partes do corpo, o mesmo produto muitas vezes só provoca uma reação de vermelhidão. A mesma reação pode ser detonada por um alimento, inchando os lábios ou o interior da boca – nessa circunstância, o inchaço só cede quando a causa é controlada. A origem das alergias, em geral, é genética – se pais ou avós têm algum tipo de alergia, cresce a propensão. Mesmo sem esse histórico, corre-se o risco de desenvolver a doença de uma hora para outra, por razões desconhecidas. Os alimentos que mais causam reações alérgicas são os frutos do mar, o chocolate e os enlatados.
Pílulas e remédios: Se o problema se espalha pelo corpo ou fica concentrado nos pés pode existir uma relação com o uso de antiinflamatórios, corticóides ou pílulas anticoncepcionais. Como outros, esses medicamentos contêm substâncias que alteram o funcionamento dos rins. Na prática, os rins passam a reter mais água e sal, ocasionando o acúmulo de líquidos. Dependendo da intensidade desse tipo de efeito colateral, médico e paciente devem cogitar se tal medicamento deve ser suspenso ou substituído.
Traumas: Depois de um tombo ou de uma pancada é normal que a região afetada inche. Nesse caso, o sintoma é o resultado de um mecanismo inflamatório de autoproteção, que altera de propósito a permeabilidade dos vasos sangüíneos do local afetado. A idéia é propiciar o vazamento de líquidos – fluidos corporais que circulam constantemente pela corrente sangüínea –, que, então, passam a funcionar como condutores de substâncias que o próprio organismo disponibiliza para reparar o que foi danificado. Para acelerar a cura, a estrutura lesada deverá ficar em repouso imediatamente, com aplicação de gelo, durante quinze minutos, a cada duas horas. É importante fazer a elevação do membro afetado para evitar reação inflamatória, pois favorece o retorno do sangue venoso, diminuindo a formação de edemas e hematomas.
Altas temperaturas: No verão, é comum que o sapato aperte e o anel fique preso no meio do dedo. Quando a temperatura externa sobe o corpo reage produzindo uma dilatação dos vasos sangüíneos periféricos – uma operação que favorece a perda de calor. O resultado dessa reação é um inchaço discreto, que acontece principalmente nos pés e nas mãos.
AS CAUSAS MAIS GRAVES
Doenças cardíacas: Pés e pernas constantemente inchados podem estar sinalizando problemas de insuficiência cardíaca ou de outra disfunção no coração. Esse quadro, muitas vezes, começa do mesmo jeito que aquele inchaço provocado por varizes: aparece sempre no final do dia e principalmente nos pés e na pernas. Mas, diferente das varizes, neste caso é o coração que não tem força para bombear o sangue de volta. Essa falha propicia um aumento da pressão e a maior concentração de sangue nas veias, com conseqüente aumento do líquido que extravasa dessas veias. Com o tempo, esse tipo de inchaço normalmente sobe, avançando para outras partes do corpo.
Doenças renais: Os rins precisam estar em ordem para que os líquidos sejam eliminados do organismo no volume certo. Se o inchaço é freqüente e a causa parece obscura, deve-se procurar um médico para descobrir o que está comprometendo esses órgãos. Em geral, o líquido retido se acomoda nos tecidos mais flexíveis, que ficam bem debaixo da pele – por isso, é comum despertar com o rosto inchado (especialmente as pálpebras) depois de uma longa noite de sono. No decorrer do dia, em função da postura, são os pés e as pernas que costumam inchar. Os rins podem não estar funcionando bem por causa de inflamações, infecções ou porque estão sendo afetados por problemas crônicos, como pressão alta ou diabetes.
Doenças hepáticas: Se o fígado está debilitado, como nos casos de cirrose, pode ocorrer um inchaço típico na região do abdômen. Nessa situação, o organismo deixa de produzir uma proteína chamada albumina, substância essencial para a retenção dos fluidos corporais que estão dentro dos vasos sangüíneos. Se a retenção não acontece, essa massa líquida escapa para fora dos vasos e o resultado é o inchaço. Mas, atenção: é importante não confundir o inchaço crônico com o efeito de uma ou outra noite de exagero – todo mundo pode inchar depois de beber demais, simplesmente porque, no dia seguinte, o organismo ainda não teve tempo de eliminar o excesso de líquido ingerido. De toda maneira, esse inchaço é discreto e desaparece em poucas horas.
Tireóide: Se a glândula tireóide está funcionando em ritmo lento, como ocorre no hipotireoidismo, logo se nota um aumento no volume do rosto e do corpo em geral – a pessoa fica arredondada. Esse quadro, a rigor, não é considerado um inchaço, pois não há acúmulo de água; aqui, são outras substâncias (ligadas ao metabolismo das gorduras) que não estão circulando como deveriam. Mas raramente é essa alteração que leva a paciente ao médico, já que outros sintomas incômodos, como sonolência e aumento de peso, aparecem antes. Uma vez tratado, o quadro é rapidamente revertido e os sintomas desaparecem.
Revisão e edição: Renata Appel
Jornalista, Produtora, Editora, Repórter, Apresentadora, Webwriter e Tradutora.
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