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Comentarista: José Arthur Assunção
Copom: mais ajustes nos juros

O Banco Central irá seguir na sua política de ajustes na taxa de juros para administrar o crescimento da economia com garantia de inflação sob controle. Na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), os juros básicos da economia certamente vão subir.

Não existe consenso de quanto será a elevação da taxa Selic, mas eu arrisco, pelo menos, meio ponto percentual. Iria então de 16,75% para 17,25% ao ano.

Muita gente pergunta por que o País não tem uma política de crescimento que incentive o aumento da produção ao invés simplesmente de conter o consumo.

É necessário atentarmos para uma variável importantíssima: a capacidade instalada do setor produtivo, principalmente a da indústria.

É necessário, sem dúvida, que a produção seja incentivada para que, pelo menos, acompanhe a evolução do consumo. Mas o problema brasileiro hoje não é exatamente a impossibilidade de colocar as máquinas para funcionar, muito menos falta de mão-de-obra. O problema é que é preciso encomendar mais máquinas, ampliar o parque industrial, melhorar a infra-estrutura. E essas dificuldades não se resolvem da noite para o dia. É preciso primeiramente que os empresários confiem que a economia está realmente em expansão contínua.

Como existem diversos setores sem estrutura necessária para acompanhar a evolução do consumo, o Banco Central age de forma prudente ao ajustar a taxa de juros. Dá credibilidade à política econômica e preserva o crescimento sustentável. O BC não faz politicagem barata. E, à medida que esses entraves forem sendo resolvidos, os juros voltarão a baixar. Uma precipitação do BC agora poderia trazer conseqüências indesejáveis, como a volta da inflação.

A meta de inflação para este ano já não será mais atingida. No entanto, pelo menos o limite de 8% não será ultrapassado. O IPCA fechará o ano em torno de 7,2%, segundo estimativas recentes das instituições financeiras. Mas é preciso atacar fortemente as pressões inflacionárias para 2005. A meta de inflação ajustada para o ano que vem é de 5,1% e, o máximo, de apenas 7%. Nesse cenário, acho prudente que os juros fechem o ano em 18%, independentemente de quanto o Banco Central eleve os juros na reunião do Copom de novembro.

É sempre importante ressaltar que esse aumento dos juros nos últimos meses é fruto do forte crescimento da economia. A utilização da capacidade instalada da indústria chegou a níveis preocupantes, próximos ao limite, o que poderia gerar um repique forte da inflação.

Uma taxa de 18% não torna o crescimento inviável como temem vários agentes econômicos. O que a grande maioria acha absurdo, eu considero prudência. Como diz o ditado, não se pode dar um passo maior do que as pernas. É melhor conter levemente o consumo agora do que correr atrás da inflação depois.

Revisão e edição: Renata Appel


Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira  
e-mail do autor: jala@asb.com.br
 
 

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