Elevação gradativa da Selic
Os juros básicos da economia fecharão o ano em, no mínimo, 17%. O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deverá promover três elevações consecutivas de 0,25% na taxa Selic até o final do ano - isso se nada de extraordinário acontecer.
Mesmo com a inflação mostrando sinais de queda em vários índices nas últimas semanas, o centro da meta de inflação tanto para este ano quanto para 2005 já está comprometido. Resta ao Banco Central fazer de tudo para que o custo de vida não ultrapasse a banda máxima da meta no ano que vem, que será de apenas 7%.
Os preços administrados, que sofrem reajustes pela inflação do ano anterior, já comprometerão bastante o índice de 2005, fora a forte elevação no preço do barril do petróleo, que bate recordes sucessivos.
Esses dois componentes aliados não deixam margem de manobra ao Copom na reunião desta semana. Os juros terão que aumentar novamente. A taxa Selic passará dos atuais 16,25% para provavelmente 16,5%.
E, à base de conta-gotas, as reuniões do Copom de novembro e de dezembro também promoverão ajustes na Selic, que, como já previ, fechará 2004 a 17% ao ano.
O Brasil vive hoje um momento excelente na economia. Mas uma variável que ainda assusta é a inflação; por isso, a discussão em relação às metas, que seriam apertadas demais para o país crescer com mais vigor. A política monetária restritiva, de juros altos, tem a incumbência de controlar a inflação.
Perguntado sobre as metas de inflação, há um tempo atrás, o Ministro da Fazenda, Antônio Palocci, deu uma resposta muito interessante. Segundo ele, o problema não é a meta. Para quem defende um pouquinho mais de inflação para o país crescer, ele propôs que se dissesse de quanto seria esse pouquinho. Um pouquinho mais num ano poderia gerar um pouquinho mais no outro ano e assim por diante. E essa história todos nós já vimos.
Palocci também afirmou que em nenhum país do mundo foi comprovada a tese de que um pouco mais de inflação geraria mais crescimento. A discussão então seria totalmente inútil.
As taxas de juros brasileiras ainda são altas por dois motivos básicos: primeiramente para debelar qualquer repique da inflação e também como atrativo aos investidores.
A perspectiva para 2005 é de queda dos juros básicos novamente, ainda mais se a inflação continuar dando sinais de declínio. Mas, mesmo com os juros ainda altos, o crescimento da economia está assegurado em torno de 5% esse ano, bem acima dos 3,5% esperados. E, para o ano que vem, já se trabalha com taxa superior a 4%.
Fico imaginando quando tivermos condições técnicas de trabalharmos com uma taxa Selic baixa. Isso não está muito longe de acontecer. O crescimento terá ainda mais vigor. O Brasil finalmente entrará no seleto rol dos países desenvolvidos.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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