As urnas que aprovam a maldade
O povo brasileiro vem amargando, anos a fio, os ínfimos recursos repassados à área social. Existem muitas discrepâncias em nossa sociedade e a distância entre ricos e pobres é cada vez maior. Apesar desse quadro nada animador, o Governo Lula economiza cada vez mais. E não economiza pouco não.
O chamado superávit primário do setor público (receita menos despesas antes do pagamento dos juros da dívida), que era projetado em 3,75% do Produto Interno Bruto (PIB) no Governo de Fernando Henrique, passou para 4,25% no início do atual Governo e agora foi elevado para nada menos que 4,5%. E essa é apenas a projeção. A economia do setor público nesses primeiros 9 meses do ano já supera, e muito, os 5% do PIB. Tudo bem que nesses últimos meses a economia tende a ser bem menor, devido às despesas maiores da União, dos estados e dos municípios; mesmo assim, o superávit vai ser bem maior do que os 4,5% projetados. Por que fazer mais economia, quando o País precisa gastar mais para resolver tantos problemas?
É uma maldade com a nossa sociedade, não é mesmo? Pois bem, com toda essa maldade, as urnas, nesse início de mês, tiveram a coragem de aprovar esse Governo. O partido do Presidente da República foi o mais votado no 1º turno. Fez um número expressivo de Prefeituras nas capitais do País e vai concorrer em outras tantas no 2º turno.
Então o povo brasileiro é masoquista? Não, meu amigo, ele é sábio. Fico entusiasmado ao vê-lo conceder esse voto de confiança ao Governo. O mesmo Governo que tomou posse sob desconfiança dos agentes econômicos, mas que hoje é reconhecidamente mais austero do que era o de FHC.
O Brasil já dá os primeiros sinais de crescimento sustentável. Começa a recuperar a confiança dos investidores. No mundo globalizado, os investimentos chegam somente aos países que têm credibilidade.
A dívida brasileira vem caindo. Já esteve em 61% do PIB no final de 2002. Agora, representa 55%. Mas ainda precisa diminuir muito. Pelo menos, para uns 40%. Em breve teremos muito mais recursos para investir no social. E a economia do Governo já não precisará ser tão grande.
O povo está entendendo a magnitude do problema brasileiro. Não quer mais populismo, quer solução duradoura. Mesmo que o remédio seja amargo. Esse foi o recado das urnas.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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