Mais juros para combater inflação
A reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), nesta semana, será bem mais demorada que as dos últimos meses. Dessa vez, a decisão não deverá ser unânime. O próprio mercado está dividido entre a manutenção e a elevação da taxa Selic.
A projeção de inflação para esse ano se afastou muito do centro da meta de 5,5%. Poderá ficar perto do topo de 8%. Já a projeção para os próximos 12 meses está entre 6% e 7%, quando a meta para 2005 é de 4,5%.
É importante ressaltar, no entanto, que o repique inflacionário é resultado do crescimento forte da economia, que vem fazendo com que as empresas operem perto da capacidade máxima.
Para que o bom desempenho econômico não venha a ser contaminado com um aumento generalizado de preços, o Banco Central precisa utilizar seu instrumento básico de política monetária para conter movimentos especulativos: a taxa de juros.
A elevação de, no mínimo, 0,5% nos juros básicos da economia é a ação mais aconselhável nessa reunião do Copom.
O efeito do aumento da Selic não será tão significativo operacionalmente; será psicológico. Mostrará que o BC está atento e não hesitará em arrochar novamente a política monetária se necessário, aumentando ainda mais os juros. Mas creio que não será preciso chegar a tanto.
O mais importante, como enfatizou o Ministro-Chefe da Casa Civil, José Dirceu, é que, mesmo com a provável elevação de 0,5% na Selic, o crescimento da economia não corre o risco de ser abortado.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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