Mais uma vez o Banco Central não mexe nos juros. Grande parte dos analistas econômicos achou prudente o BC ter mantido os juros estacionados em 18% ao ano. Eu não compactuo com essa prudência. A inflação já não representa perigo.
O que se nota no momento é um movimento especulativo cada vez mais forte. Aproveitam-se da possível vitória de Lula já no primeiro turno das eleições. Quem sofre é o setor produtivo do país. Fica parado, estagnado.
Os repasses para os preços já foram absorvidos nos últimos dois meses. Não há mais perigo de retomada da inflação. Por isso, não dá mais para esperar. O Banco Central precisa baixar os juros.
O momento político é favorável. Todos os candidatos se comprometeram com o acordo com o Fundo Monetário Internacional. A expectativa geral é de que o dólar caia a um patamar próximo a R$ 2,80 assim que seja definido o novo presidente da República.
É bem mais salutar atingir o superávit primário acordado com o FMI através do crescimento da economia do que com corte de gastos. Para tanto, é necessária a queda contínua da taxa Selic. Manter os juros no nível de 18% ao mês é um remédio excessivamente forte.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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