Copom prudente
Mais uma vez, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) agiu com prudência, responsabilidade e, sobretudo, psicologia, ao manter a taxa básica de juros da economia em 16% ao ano.
Com o aumento do IPCA aliado à nova elevação dos juros básicos americanos e aos recordes sucessivos registrados no preço do barril de petróleo não seria nada interessante “nadarmos contra a maré” e baixarmos nossa taxa. O possível impacto sobre a inflação é preocupante.
Apesar de os últimos índices do custo de vida apontarem tendência de queda, é importante lembrar que as projeções para este ano estão muito distantes do centro da meta de 5,5%.
Ninguém, até hoje, provou que um pouquinho mais de tolerância com a inflação possa acelerar o crescimento da economia sem riscos; muito pelo contrário. Nossa história recente prova exatamente o oposto.
Devido à elevação das projeções de inflação para o ano, a taxa de juros real (taxa básica descontada a inflação) já será inferior a um dígito. E é isso, no final, o que realmente importa.
Com a queda de mais de 10% da Selic desde junho do ano passado, o País começou a crescer. Já são 5 trimestres consecutivos de crescimento e, mesmo com a manutenção da taxa básica de juros em 16%, as projeções para o PIB de 2004 são melhores a cada semana.
Dificilmente, o Copom baixará a Selic até o final do ano. Se houver algum movimento do BC, creio que será a introdução de um viés de alta na próxima reunião em setembro.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
e-mail do autor:
jala@asb.com.br
|