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Comentarista: José Arthur Assunção
Viés de alta

O momento da economia brasileira é extremamente positivo. O crescimento de 3,5% do Produto Interno Bruto esperado para este ano deverá ser largamente superado. Os saldos positivos da nossa balança comercial batem recordes atrás de recordes. O Brasil vem conseguindo enfim estabilizar a relação dívida/PIB, hoje em torno de 56%, mas que havia chegado a 62% no auge da crise de credibilidade em 2002.

Toda essa evolução vem sendo atingida, apesar das críticas em relação à condução da política econômica, que manteve altas taxas de juros e elevados superávits fiscais. Mas é bom lembrar que a taxa Selic já caiu mais de 10% no Governo Lula.

Acho prudente, no entanto, que, neste momento, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) introduza um viés de alta na reunião desta quarta-feira. É preciso que fique claro aos agentes econômicos que a autoridade monetária não hesitará em elevar os juros na hora que for preciso, independentemente de pressões dos empresários, das centrais sindicais ou mesmo do partido do Governo - o PT, neste momento pré-eleitoral.

Não creio que seja necessário, pelo menos nessa reunião, que o BC opte já por elevar a taxa, mas o viés de alta é necessário. O aumento do IPCA aliado à nova elevação dos juros básicos americanos, que chegaram a 1,5% ao ano e aos recordes sucessivos registrados no preço do barril de petróleo tornam necessária a sinalização de alta da Selic. Possibilitaria o efetivo aumento dos juros básicos brasileiros antes mesmo da reunião do Copom de setembro, diante de pressões iminentes, que afastassem muito a inflação do centro da meta de 5,5%, correndo o risco, até mesmo, de ultrapassar o topo da meta, que é de 8%.

O Banco Central cumpre seu papel de defensor da moeda. A estabilidade da economia é fator fundamental para o crescimento econômico. Em nenhuma parte do mundo foi comprovada a tese de que um pouquinho de inflação alavanca o crescimento.

Revisão e edição: Renata Appel


Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira  
e-mail do autor: jala@asb.com.br
 
 

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