Conjuntura promissora
Crescimento econômico com inflação sob controle, responsabilidade fiscal e superávits crescentes na balança comercial: essa é a nova conjuntura da economia brasileira. A base está pronta. A sustentabilidade do crescimento com geração de empregos é apenas questão de tempo. Será conquistada sem sobressaltos, naturalmente.
É preciso enfatizar que um tipo de conjuntura econômica como essa é inédita na história brasileira. Torna-se preponderante explicitar algumas diferenças em relação ao nosso passado recente.
Primeiramente, para aqueles que não acreditavam em crescimento forte com inflação sob controle, a resposta está dada. Os três últimos trimestres foram de crescimento com o custo de vida mantendo-se dentro de parâmetros aceitáveis, bem próximo da meta de 5,5% estipulada para este ano.
A segunda diferença é que este cenário promissor está sendo construído com responsabilidade fiscal, graças a uma disciplina invejável do setor público. Nos meses de março e de abril, o superávit primário de 4,25% do PIB, acertado com o Fundo Monetário Internacional, foi conquistado com folga, e o que mais impressionou foi a obtenção de dois superávits nominais consecutivos e inéditos. Nesses dois meses, a economia do setor público foi bastante para pagar os juros da dívida e ainda abater parte dela. Em abril, o superávit nominal foi de quase US$ 2 bilhões.
A terceira diferença, para mim a mais importante de todas, é o superávit da balança comercial brasileira, que não pára de crescer mês a mês. Somos, a cada dia, menos vulneráveis a choques externos. Parece que o mercado não assimilou bem tudo isso. Ele ainda apresenta fortes solavancos em resposta a variáveis políticas e econômicas diárias. Mas a tendência é que reaja menos precipitadamente no futuro próximo.
O crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro de 1,6% no 1º trimestre do ano em comparação com o último trimestre de 2003 ratifica este momento espetacular de solidez da nossa economia. Ela sempre foi pujante. Sempre respondeu aos estímulos. Mas precisava de disciplina para crescer de forma sustentável.
Vale ressaltar que os 3 últimos meses do ano são sempre de atividade econômica intensa. Por isso, essa elevação de 1,6% é sensacional. Representa mais de 6% se atualizarmos a taxa e, se compararmos com o 1° trimestre de 2003, a alta vai para 2,7%.
Os 3,5% de crescimento esperados por quase todos os agentes econômicos para esse ano já estão sendo revistos. Para mim, o crescimento do PIB ficará bem acima dos 4%. É o resultado da política econômica adotada pelo Governo - a mesma política tão combatida por alguns setores da sociedade.
O resultado de um crescimento econômico com inflação baixa logo será sentido pelos trabalhadores. Os salários não sofrerão corrosão e, com o crescimento, a tendência é de uma maior recuperação da renda.
O caminho do crescimento econômico sustentável está sendo construído com solidez e segurança, passo a passo. Os reflexos positivos na geração de empregos e na melhoria da qualidade de vida da população brasileira virão em conseqüência.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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