O grande vilão do crescimento
Os problemas brasileiros vêm de longa data. São inúmeros, em todas as áreas. Quem acreditou que a simples ascensão de Luís Inácio “Lula” da Silva ao poder resolveria os principais problemas do País se enganou. Governar não é nada fácil. Governar é fazer escolhas e tomar decisões.
Sabemos que o PT, na oposição, travou muitos projetos do governo do PSDB. Mas sabemos também que, hoje, PSDB e PFL valem-se das mesmas práticas petistas de antes, com um pouquinho menos de radicalismo.
Errou quem achou que o governo do PT seria a redenção do Brasil. Errou também quem achou que seria o fim do Brasil. O governo do PT negociou, fez maioria no Congresso e reconduziu a economia aos eixos. O governo do PT é simplesmente mais um como tantos outros. Precisa governar o País. Mantê-lo em ordem e fazê-lo crescer. Para tanto, teve e terá que tomar decisões, muitas vezes diametralmente opostas às promessas de campanha.
São muitos os problemas, muitíssimos. As soluções não são simples e imediatas como as oposições sempre insistem em afirmar. Querem porque querem que se mexa nos pilares da economia. Na base de tudo: as metas de inflação, o superávit primário e a política de juros.
Para quê juros tão altos? Para quê uma meta de inflação tão baixa? Para quê um superávit fiscal tão elevado? A decisão de manter a coerência das ações para perseguir um objetivo passa por medidas impopulares, mas que mantém o arcabouço, construído não no governo do PT, mas no governo anterior. Parece que tucanos e pefelistas se esquecem disso agora.
A política econômica restritiva, que já nem é tão restritiva nesse ano quanto foi em 2003, começa, de forma lenta, segura e confiável, a dar resultados. Mas, em ano eleitoral, ninguém gosta de soluções que demandem tempo. O problema é que, infelizmente, não existe um caminho fácil. É um processo, não um choque. Choques já foram aplicados, mas já sabemos as conseqüências.
Parece que a cada reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), seus membros estão decretando o fim dos sonhos dos brasileiros ao não cederem à escolha fácil de baixar os juros rapidamente a níveis de 1º Mundo. Neste País, há aqueles que tratam os altos juros como sendo o grande vilão do crescimento econômico. Tais críticos não falam dos riscos do imediatismo e das conseqüências desastrosas que uma política mais ousada traria para uma economia vulnerável como a nossa.
Estaríamos preparados para uma fuga de investimentos? Estamos preparados para a ameaça de elevação dos juros nos Estados Unidos e na Europa? Muito ainda tem de ser feito. A política econômica vem sendo conduzida de maneira responsável. O Brasil precisa manter metas severas de superávit e juros altos, não somente para segurar a inflação, mas também para atrair investidores e dar credibilidade ao país, que construiu uma imagem de instabilidade ao longo dos anos. São decisões duras, mas pertinentes, oportunas e necessárias, ainda que contrariando interesses populistas, imediatistas e eleitoreiros.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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