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Comentarista: José Arthur Assunção
Copom age com psicologia

Os efeitos da política monetária são sentidos no dia-a-dia da economia. Os Bancos Centrais, em todo o mundo, optam por trabalhar com juros altos normalmente quando querem debelar processos inflacionários ou atrair investidores oferecendo ganhos mais elevados. E optam por juros baixos quando pretendem impulsionar rapidamente o crescimento.

O mais usual, no entanto, é que, numa economia forte e sustentável, os juros permaneçam em uma faixa de equilíbrio: nem altos nem baixos. Devem estar em um nível tal que incrementem a produção, mas também despertem o interesse dos investidores.

No Brasil, infelizmente, ainda estamos longe disso. O Banco Central brasileiro nunca trabalhou com taxas tão baixas quanto as americanas, por exemplo. Pelo contrário: nossos juros reais (taxa básica descontada a inflação) sempre estiveram entre os maiores do mundo. Atualmente, segundo as últimas pesquisas, retomaram essa triste liderança.

Analisando todas as reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) desde o início do Governo Lula, não tenho medo de dizer que a equipe econômica vem conduzindo a política monetária com maestria e, sobretudo, com uma visão psicológica. Senão, vejamos: nos dois primeiros meses de Governo, em 2003, o BC promoveu duas elevações na taxa de juros. A primeira, em janeiro, de 1% e, a segunda, em fevereiro, de 0,5%. Ninguém veio a público dizer que era uma atitude psicológica. Mas, com certeza, foi.

A maioria dos analistas, nacionais e internacionais, desconfiava da política macroeconômica do Governo que se instalava. O novo Governo havia herdado uma taxa básica de juros de 25% ao ano. A inflação estava fora de controle. Um ponto e meio de elevação na taxa não mudaria aquele quadro em nada - ou quase nada.

Contudo, com as duas altas consecutivas dos juros, todo mundo viu que o Governo do PT não tomaria atitudes heterodoxas. Iria defender a moeda com tanto ou mais vigor do que a equipe de Fernando Henrique Cardoso.

Nos três meses posteriores (março, abril e maio), os juros ficaram inalterados em 26,5% ao ano. Precisavam ficar tão altos por tanto tempo? Outra vez ressalto que, objetivamente, nada indicaria tamanha precaução do Copom. Mas era preciso fortalecer ainda mais a certeza de que não haveria choques econômicos; nada de Plano Palocci ou Plano Lula.

Só a partir de junho, com o recuo da inflação, o Banco Central fez o que tinha que fazer: começou, aos poucos, a soltar as rédeas da economia. Em sete meses - de junho a dezembro - baixou a Selic de 26,5% para 16,5% ao ano, um recuo de nada menos que 10%.

No início deste ano, no entanto, a inflação mostrou sua cara novamente. Meio tímida, mas sempre atemorizadora. Todo mundo explicava “por a mais b” que o problema eram os preços administrados. Os juros altos em nada ajudariam no combate à inflação.

Mas, e o risco psicológico? Esse risco, é claro, existia. O BC então decidiu, sob uma enxurrada de críticas, manter a taxa inalterada até a última reunião do Copom. Faria mal se tivesse baixado na reunião anterior os 0,25% que baixou agora? Não. Objetivamente, não. Mas, psicologicamente, sim.

Se continuasse a afrouxar a política, poderia dizer indiretamente aos agentes econômicos: “Podem aumentar seus preços. Quero agora crescimento a todo custo, mesmo que seja desordenado”. Mas, como já vimos no passado, crescimento desordenado não é bom. Para mim, a decisão de manter a taxa foi o tiro de misericórdia na inflação.

Na última reunião, o Copom agiu com psicologia novamente. Ao entender que o seu recado já havia sido dado, ou seja, que não iria permitir a volta da inflação, ele pôde promover a queda de 0,25%. Nada muda efetivamente também. Não existe um reflexo objetivo na economia, mas o BC sinaliza que a trajetória é novamente declinante.

Por tudo isso, eu apóio, de modo irrestrito, a política econômica do Governo Lula. O Banco Central age de forma correta, precisa e consciente desde o início desse Governo. Estou certo de que os cortes gradativos continuarão nos próximos meses, bem menores, é claro, do que os verificados em 2003. Creio mesmo que a Selic deverá fechar o ano próxima a 14%.

Existe uma choradeira generalizada na economia, impulsionada pelo setor produtivo, que acaba por confundir a cabeça do País. Ainda que a taxa básica fosse de 15%, de 14% ou mesmo de 10%, os empresários iriam achar “muito alta”. Sempre acharão alta. Faz parte das suas reivindicações.

Parabenizo à equipe econômica e a esse Governo, do qual quase todos desconfiavam, mas que está construindo uma base sólida para garantir o crescimento econômico sustentável por muitos anos.

Revisão e edição: Renata Appel


Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira  
e-mail do autor: jala@asb.com.br
 
 

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