A maldade dos juros altos
A choradeira é geral todo mês. Quase todo mundo reclama dos altos juros brasileiros, a começar pelo Vice-Presidente da República, José Alencar. Não é prudente compararmos nossa taxa de juros com a de outros países. Ela é alta? Sim. Mas está de acordo com a estrutura do País. A taxa de juros do Japão, por exemplo, é baixíssima, mas o país não cresce há anos.
É difícil defender os juros altos. Soa até como maldade. No entanto, o Brasil ainda precisa das altas taxas de juros para atrair capital estrangeiro e, principalmente, para não permitir o repique da inflação.
Como já explicou o Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, não existe meta de superávit nem meta de crescimento. A única meta é a de inflação.
Ao contrário do que muitos pensam, quem estabelece a meta de inflação é o Poder Executivo - em última análise, o próprio Presidente da República - e o Banco Central tem que cumpri-la. Tem toda a liberdade para isso. Ele busca o centro da meta: nem mais, nem menos. Seu principal instrumento é a taxa de juros.
É claro que a relação dívida/PIB cresceu nos últimos anos devido aos altos juros pagos pelo governo brasileiro. Mas, projetando para frente, este indicador vai acabar refletindo o ajuste macroeconômico que vem ocorrendo.
Por isso, não é razoável imaginarmos que todos os indicadores econômicos irão melhorar todos os meses. É importante olharmos a tendência. A economia brasileira vem reagindo sem romper com o compromisso da estabilidade fiscal, diferentemente da vizinha Argentina, que perdeu sua credibilidade. É fundamental que os mercados acreditem no Banco Central.
Sobre a última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), em que os juros foram mantidos em 16,5%, tudo correu conforme se esperava: nenhum sobresalto, nenhuma surpresa. O BC apenas ratificou a ata da reunião de janeiro.
No último semestre de 2003, os juros caíram 10%, o que, definitivamente, não é pouco. É preciso que a economia sinta efetivamente esse corte. A Selic só deverá voltar a cair em abril. As quedas serão gradativas, chegando aos 13% previstos para o final do ano.
É hora de o empresário olhar para frente e investir. Ao Governo cabe continuar a fazer o dever de casa. Esse país vai voltar a crescer!
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
e-mail do autor:
jala@asb.com.br
|