Copom mais conservador
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) foi mais conservador na primeira reunião de 2004.
A manutenção da Selic em 16,5% apenas ratificou o que havia sido divulgado há um mês atrás, na ata do Copom de dezembro, em que se afirmou que, daquele momento em diante, as quedas seguiriam um ritmo bem mais gradual do que o verificado no 2º semestre de 2003.
Apenas como lembrete: de junho até dezembro de 2003, os juros básicos da economia caíram 10%, o que, definitivamente, não é pouco.
Leva algum tempo para que a redução dos juros surta efeitos práticos na Economia. Isso quer dizer que nesse início de ano é que começaremos a sentir um maior aquecimento da atividade econômica.
A taxa Selic ainda é alta? Certamente, se levarmos em conta a projeção de inflação para o ano, inferior a 6%. Os juros reais, taxa básica descontada da inflação, ainda permanecem no patamar médio de 10% - bem maior do que os praticados nos países emergentes. Mas, até o final do ano, todas as projeções indicam que os juros cairão para algo próximo a 13%. Isso nos leva a crer em quedas bastante gradativas daqui em diante, amortecendo possíveis pressões inflacionárias.
Um outro fator terá que ser considerado daqui a algum tempo: a possível elevação da taxas de juros norte-americana e da União Européia. Os juros nos países desenvolvidos foram reduzidos drasticamente, após a crise econômica que se abateu sobre a economia mundial, agravada pelos atentados de 11/09/01. Mas, em algum momento, talvez ainda esse ano, as taxas desses países terão que ser elevadas. Nos Estados Unidos, o déficit público está em níveis preocupantes.
O resultado de uma recomposição de taxas nos Estados Unidos e União Européia, aliadas às quedas dos juros no Brasil poderá provocar uma fuga de dólares do mercado nacional, trazendo possivelmente problemas de liquidez. Mas não faz muito sentido se estender tanto nas projeções, porque a Economia é extremamente complexa e dinâmica. Hoje mesmo, uma crise econômica lá do outro lado do mundo poderá obrigar o Comitê de Política Monetária a elevar a Selic para 50%, o que já aconteceu várias vezes no nosso passado recente.
Pois é, antes de terminar, vou bater aqui na madeira e peço que você faça o mesmo onde estiver.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
e-mail do autor:
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