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Comentarista: José Arthur Assunção
O ano novo do crescimento

Três, três e meio, quatro por cento ou mais. Quanto o País vai crescer em 2004? O importante não é respondermos a essa pergunta. O importante é termos tanta certeza do crescimento.

O cenário atual da economia brasileira é bem diferente de um ano atrás. A eleição de Lula parecia jogar o País num abismo de más notícias. No entanto, mesmo naquela época, eu não embarquei na onda do pessimismo e apostava que Lula faria um governo conseqüente. As recompensas prometem vir de agora em diante.

O Brasil vive hoje um grande pacto de desenvolvimento. E tenho certeza: a grande mola propulsora será o crédito. Não existe desenvolvimento sustentável sem crédito.

Com a retomada da atividade econômica, que proporcionará o aumento da renda do brasileiro, a inadimplência tende a cair de forma acentuada. Em 2003, bateu os 16% contra uma média histórica de 3,5%.

Com inadimplência em baixa, os juros para o consumidor final terão um corte bem maior que o verificado em 2003, apesar da queda de 10% na Selic.

Com juros mais baixos, a população pegará mais crédito e, com mais dinheiro em circulação, as operações tendem a ficar mais baratas, criando um círculo virtuoso. Se este cenário ideal se concretizar, o volume de crédito aumentará em 20% até dezembro de 2004.

Esse cenário tão otimista só está sendo desenhado agora, porque o Governo Federal venceu a crise. Na economia, a nota para o primeiro ano do governo do PT, se não é 10, é muito próxima de 10. O risco-Brasil se estabilizou abaixo dos 500 pontos, a bolsa de Valores bateu os 22 mil pontos, a taxa básica de juros inicia o ano a 16,5% com tendência de queda e, o dólar, a R$ 2,90. A inflação está controlada e deve ficar dentro da meta de 5,5%.

O Presidente Lula assumiu um país que estava com a auto-estima em baixa, a inflação em alta e totalmente estagnado. É evidente que grande parte desse quadro negativo era conseqüência dos temores, nacionais e internacionais, sobre o que um governo de esquerda faria no poder. Afinal, o PT exerceu ferrenha oposição à postura econômica do governo anterior. E mais: sempre pregou soluções mágicas. Mas não é isso que vem colocando em prática no Governo. Gradativamente, com uma política econômica muito mais austera que a de Pedro Malan, o Ministro da Fazenda, Antônio Palocci, reconquistou a estabilidade e a confiança externa.

Dois mil e três foi um ano duro: um contingenciamento orçamentário impressionante, que produziu o maior superávit fiscal de todos os tempos, e juros altos o bastante para levar o País à recessão. Nunca nos esqueçamos: por mais estranho que pareça, quem governa o País é o PT.

Avançamos muito com a aprovação das reformas previdenciária e tributária. Mas aprovar as reformas não foi tão fácil assim. O Governo enfrentou a ira de integrantes do próprio PT, desiludidos com mudanças de posições tão drásticas do partido, e teve que contar com a ajuda da oposição.

Já imaginaram se o PT tivesse ajudado o País quando era oposição? Tudo teria sido mais fácil. Mas isso já é passado. O mais importante é que, agora, o partido reviu seus conceitos.

Dois mil e três foi também um ano de guerra. A invasão dos Estados Unidos ao Iraque dividiu a opinião pública e abalou a economia do mundo, com reflexos negativos para o Brasil. Apesar de a situação do país árabe estar, ainda, muito longe de ser controlada, a economia norte-americana dá sinais de franca expansão. E como eles são a locomotiva do mundo, todos nós agradecemos.

Vejo um cenário extremamente favorável para todos os brasileiros no novo ano. Com bases mais firmes, o País vai voltar a crescer. Junto com 2004 vem o crescimento. Não será ainda “o espetáculo do crescimento”, mas a máquina do desenvolvimento está a todo vapor.

Revisão e edição: Renata Appel


Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira  
e-mail do autor: jala@asb.com.br
 
 

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