Casa arrumada
O Brasil está pronto para crescer em 2004. O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) baixou a taxa básica de juros em 1% e colocou o país definitivamente na rota do desenvolvimento.
A decisão de baixar os juros para 16,5% foi totalmente acertada. Os mais otimistas previam que chegaríamos, no máximo, a 19% nesse fim de ano. Mas o BC, sem deixar de defender a moeda, promoveu quedas gradativas desde junho. O resultado está aí: a menor taxa de juros desde abril de 2001, quando começou a crise do racionamento de energia elétrica e desaceleração do crescimento econômico.
A Selic caiu 10% este ano, depois de um 1º semestre apertado. Mesmo assim, a inflação vem se aproximando da meta, motivo pelo qual o Copom resolveu continuar com o gradualismo na redução dos juros, impulsionando o crescimento da economia.
Foi bastante positivo os membros do Copom terem decidido baixar os juros por unanimidade para 16,5%, diferentemente de novembro, quando houve um placar de 7 a 2 pela redução de 1,5%. A justificativa foi a convergência da inflação para a trajetória das metas e as perspectivas favoráveis para a evolução da atividade econômica.
Muitos analistas esperavam uma queda maior nos juros, de, pelo menos, 1,5%. Mas ela não veio, como eu já esperava. O Banco Central já havia avisado: uma queda muito acentuada nos juros poderia tirar o país do caminho da estabilidade. Não podemos nos precipitar. O que rege a política monetária é o regime de metas de inflação. Não existe meta para os juros.
A política austera de Henrique Meirelles, Presidente do BC, e de Antônio Palocci, Ministro da Fazenda, fizeram o país retomar a confiança interna e externa.
O Governo Lula, aliás, conseguiu, no primeiro ano aprovar as duas mais importantes reformas: a tributária e a previdenciária. O país avançou muito em 2003. O PT, que exerceu ferrenha oposição à política econômica do Governo anterior, aprofundou ainda mais essa política e estabilizou o país.
No início do ano, havia muito medo do quê um governo de esquerda faria no poder. As previsões eram as mais catastróficas possíveis. Mas agora, um ano depois, estamos prontos para crescer. Que venha 2004!
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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